sábado, 19 de março de 2011

PENSAMENTO DO DIA



"Sempre que viverem um momento de tristeza ou de desânimo, vocês devem
pensar que nada é definitivo e irreparável, que esse estado não durará e que
uma alegria se apressa para visitá-los.

Mas enquanto esperam, para não se
sujeitarem passivamente a esse estado, digam para si mesmos que é possível
utilizá-lo para o seu trabalho interior.

Os sofrimentos são comparáveis ao
húmus ou ao adubo que se coloca junto às flores e aos arbustos para
torná-los mais fortes e mais bonitos.

Sim, aqui também existe uma analogia
entre o plano psíquico e o plano físico.

E se vocês estudarem como o seu
psiquismo reage a uma ou a outra solicitação proveniente do mundo externo,
ou do seu mundo interno, descobrirão que também é possível captar energias
dos seus estados mais negativos.

O que falta aos seres humanos é o conhecimento das sutilezas da vida
interior. Nós possuímos um laboratório inteiro onde temos a possibilidade de
procurar os elementos que nos permitirão ter a atitude correta. É impossível
descrever esses elementos assim, teoricamente. Cada um deve encontrá-los por
si, observando quais efeitos os acontecimentos da vida cotidiana produzem
sobre ele."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

sexta-feira, 18 de março de 2011

O IMPASSE DA ONU X SEDE DE VINGANÇA DE KADAFI

Em regimes democráticos, quando existe um assunto que é de interesse da coletividade, é necessário sem dúvida que se discuta, que haja o debate, para que se tenha o consenso ou o chamado denominador comum, e então toma-se a decisão, ou se aprova o projeto sem prejuízo da coletividade que, pelo contrário, tem que ser beneficiada pela decisão baseada na opinião de todos.

Isso demora menos ou mais tempo, em virtude do tempo de maturação que este ou aquele assunto necessite, porém tem certos assuntos que não deveriam levar tanto tempo, principalmente quando se há muitas vidas em jogo.

Até uma criança sabe, que um ditador desse jaez, sem escrúpulos, brutal e há mais de 40 anos no poder, como está Muammar Kadafi, faria de tudo para se manter no seu trono de ouro, e para ele trucidar os seus oponentes que “ousaram” lhe tirar as mordomias e a vida-boa (que só tem usufruto ele, a sua Família e aos apadrinhados de todos os matizes, enquanto resto da população morre à míngua ), não será nem um sacrifício de sua parte.

E assim fez, enquanto os membros permanentes de segurança da ONU, (Rússia, Estados Unidos, China, França e Grã Bretanha), se reuniram na quinta-feira, dia 10 de Março, e se mantinham em um impasse, Kadafi despejava seus mísseis e armas mortíferas em cima de civis, na tentativa de esmagá-los e retomar o país.

Dois dias antes da reunião, a organização internacional Avaaz, conhecida pelo seu recolhimento de assinaturas, já colhia-as para enviar justamente ao Conselho da ONU, antes da reunião, como forma de pressionar o mesmo em aprovar a zona de exclusão aérea.

Porém não houve consenso...

Esse que vos escreve foi um dos que deixaram sua assinatura para a Avaaz pressionar a ONU.

Se, na reuniões seguintes, houvesse novo impasse no conselho de segurança da ONU, e as forças do Kadafi retomassem o país, uma retaliação brutal aguardaria os líbios que desafiaram o regime. Relatos de tortura e assassinato já estavam vazando das áreas retomadas.

Pois somente hoje, dia 18 de Março, que o Conselho de Segurança da ONU veio ao encontro do chamamento do povo Líbio e aprovou a chamada “Zona de Exclusão aérea” que na prática é um forma de manter no chão os aviões do desalmado ditador Kadafi, e consequentemente evitar o mesmo de massacrar do seu próprio povo, que anseia por liberdade e desenvolvimento.

Bastou isso que o mesmo mandou suspender os ataques covardes a civis, o ministro do Exterior líbio, Moussa Koussa, disse que o governo foi obrigado a adotar a medida após a aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, da criação de uma zona de exclusão aérea no país.

'De acordo com o artigo 25 da Carta da ONU (...) e levando em consideração o fato de a Líbia ser membro da ONU (...) concordamos que somos obrigados a aceitar a resolução do Conselho de Segurança (...). Portanto a Líbia decidiu por um cessar-fogo imediato e uma imediata paralisação de todas as operações militares', disse o ministro a jornalistas.

Porém fica a pergunta: Porque tanta demora em aprovar uma medida, que visava ser um antídoto contra a matança indiscriminada de civis, que se rebelaram contra ele?

Quantos pagaram com a vida esses 8 dias de indefinições sobre se adotava ou não a medida?

Mais absurda foi a postura do governo Brasileiro, que se absteve de votar em favor da medida...Será que o Brasil estava mesmo ciente de que isso representaria a manutenção dos ataques de um ditador com sede de vingança e sedento por sangue sobre seus oponentes, todos eles civis?

Parece que não mudou a contradição que foi a política externa Brasileira na “era Lula” com a agora chamada de “era Dilma”, e nem a ONU se apercebe rápido que, perante os tribunais incorruptíveis da consciência, não será cobrado somente pelo mal que se tenha feito, mas também pelo bem que, podendo, se deixou de fazer....

terça-feira, 15 de março de 2011

O perigo mora.... aqui


TUITAÇO PELA #ENERGIALIMPA

Olá, ciberativista

Não bastou o terremoto. Não bastou o tsunami. Veio o acidente nuclear para piorar a situação no Japão. Nossas angústias permanecem com o povo japonês, que agora, além de ter que recompor o país, precisa lidar com uma crise causada pelos riscos inerentes ​​das usinas nucleares.

Há quase 40 anos, o Greenpeace alerta o mundo sobre os perigos da energia nuclear. Os inúmeros avisos, no entanto, não contribuem para minimizar a dor das pessoas que perderam suas famílias, amigos, casas, empregos. Por isso, antes de tudo, queremos mandar nosso mais profundo sentimento de solidariedade a todos os japoneses e seus familiares.

Olhando o desastre no Japão, fica claro que ao grau de devastação das forças da natureza junta-se agora à tragédia nuclear, fruto da imprevidência e da aposta num tipo de energia cuja essência é a destruição. Ela também está perto de nós, aqui no Brasil.

As usinas Angra I e II passam frequentemente por pequenos acidentes. Elas estão em terreno arenoso, próximas ao oceano e entre as duas maiores cidades do país. Qual é o plano do Brasil para evacuar as pessoas que moram em um raio de 20km dessas usinas, como fez o Japão?

Por que nossas usinas nucleares não são tão seguras como dizem as empreiteiras e o governo e por que investir nelas quando há outras formas de geração mais baratas, limpas e infinitamente menos ameaçadoras?

Para esclarecer todos os riscos da energia nuclear e quais são os tipos de energia mais seguros para o Brasil, convidamos você a participar de um bate-papo online com Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

O chat acontece nesta quarta-feira, dia 16, das 16h às 17h, horário de Brasília, aqui.

Traga suas dúvidas, convide seus amigos, divulgue no twitter e no seu facebook. Ajude-nos a fazer do Brasil um lugar mais seguro e limpo.

Ricardo Baitelo


Abraços,

Ricardo Baitelo
Coordenador de campanha de energia
Greenpeace Brasil



Autor do Blog

Reproduzo aqui neste espaço o alerta do Greenpeace-Brasil, sobre a energia Nuclear, que em virtude do acidente ocorrido no Japão, (vide foto, acima) onde três reatores explodiram, ocasionando contaminação de tudo quanto está a sua volta, elevando ao nível 6, na gradação de perigo da energia atômica, que vai até 7, se aproximando do acidente ocorrido em Tchernóbyl, na então União Soviética, que espalhou por quase toda a europa através da nuvens, a radioatividade.

É uma boa ocasião para discussão, em um país como o Brasil, as coisas costumam ser impostas goela abaixo, (embora com ares de legalidade, vide Belo Monte), devemos debater se vale a pena investir em uma energia com os riscos que ela pode ocasionar.Estive em Angra dos reis, município onde está localizada, as usinas de energia nuclear brasileiras(Angra I, II E III), e posso dar o testemunho e que à primeira vista, se destoam do entorno, paisagem de cartão postal, com montanhas, belas praias, Mata Atlântica, e as Usinas reluzindo bem no meio disso tudo, o que deu a impressão de que ali era o último local para instalá-las, em plena natureza preservada.

Porém em muitos países, como a França, a energia Nuclear é largamente utilizada, sendo inclusive, exportada, vale a pena investir neste tipode energia? Vale investir em alternativas? Caso queiram participar da discussão acessem:

sexta-feira, 4 de março de 2011

Pensamento do dia 03 de março


"As pessoas instintivamente acham que, para fazerem o mal, é preciso se
esconder para não serem pegas e condenadas. E para fazer o bem, elas acham
que podem se mostrar!

Existem pessoas que, por vaidade, se exibem, e é assim
que desencadeiam contrastes, suscitam animosidades e invejas. Vocês querem
oferecer alguma coisa para alguém? Nesse caso também sejam prudentes: talvez
seja melhor que não haja testemunhas.

Às vezes é até preferível que aquele
para quem fizerem o bem, ignore de onde veio esse bem, pois o seu gesto pode
provocar reações inesperadas nele.

Em todas as relações com os outros, procurem ter em conta as relações
complicadas que a natureza inferior mantém com a natureza superior em todo
ser humano."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

POLÍTICOS ÍNTEGROS PERSEGUIDOS NA AMAZÔNIA (parte 1)



Governador eleito pelo povo, Anchieta
sofre perseguição de Neudo Campos



"O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém".

William Shakespeare

Depois de uma onda de políticos retrógrados que mais parecem "guardiões do subdesenvolvimento" atingir a américa do sul, casos do ditador Hugo Chavez, na Venezuela, do demagogo Rafael Correa, no Equador, e do primeiro indígena a ser presidente da Bolívia, Evo Morales, agora a onda do subdesenvolvimento ameaça atingir a região amazônica brasileira, mais especificamente os pequenos estados de Roraima e do Amapá, porém de forma diferente, através de golpes de estado bem disfarçados por mentes iníquas de adversários derrotados.


Isso porque o seu governador e senador eleitos, respectivamente, José de Anchieta Jr., (PSDB-RR) em Roraima, e o nobre casal: João e Janete Capiberibe (PSB-AP) no Amapá, estão sendo perseguidos por políticos retrógrados que não são democratas o suficiente para aceitar a derrota nas urnas e/ou oligarcas do Nordeste que tentam ampliar seus tentáculos infames na política amazônica.

BIOGRAFIA

José Anchieta Jr. chegou ao setentrional estado de Roraima, em 1991, e tem uma história relativamente curta na política.Formado em engº civil pela universidade federal do Estado do Ceará, de onde é originário, foi herdeiro do ex-governador do estado, Ottomar de Sousa Pinto.

Brilhante secretário de infra-estrutura e posteriormente, no segundo mandato de Ottomar, foi vice-governador.Quis o destino que o brilhante secretário assumisse o governo após o falecimento de seu pai político, em 2006, em razão de uma parada cardiorrespiratória.Ele foi entao o governador de Roraima de 2007 a 2010.

Antes disso ele havia sido presidente do Conselho Rodoviário Estadual e membro do Comitê Gestor para Assuntos Fronteiriços e foi então que se descompatibilizou de suas atividades públicas em março de
2006, para concorrer à vaga de vice-governador.


Esteve à frente dos projetos de asfaltamento de rodovias federais e estaduais, recuperação de mais de quatro mil quilômetros de estradas vicinais. Colaborou também na reforma de hospitais no interior e na capital, de prédios públicos e escolas, núcleos policiais e centros de apoio ao agricultor em todo Estado.


Jovem, (45 anos), criativo, empreendedor, inteligente, de temperamento calmo, bom articulador, estava em negociação com os chineses para uma profícua parceria na área de financiamento e produção de alimentos, além de outros projetos que colocariam a posição estratégica do Estado de Roraima como pólo de desenvolvimento para os mercados fonteiriços da Venezuela e da Guiana além dos Estados Unidos.

PERSEGUIÇÃO

Com o bom trabalho feito a frente do governo roraimense, foi candidato a reeleição ao governo estadual no último pleito em 2010, tendo vencido seu inimigo político Neudo Campos(PP) de virada após aquele ter vencido o 1º turno.


Teve, no entanto, o mandato cassado no TRE do estado em fevereiro de 2011, por supostamente usar uma emissora oficial de rádio do estado para sua promoção pessoal. Entretanto, uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral
permitiu que ele permanecesse no cargo até que fossem analisados recursos contrários à decisão da corte.

INIMIGO RETRÓGRADO

Analistas políticos atestam que por trás do "golpe" mal disfarçado, está o candidato derrotado, Neudo Campos, que tem um recorde de processos de todos os matizes, inclusive a "operação Praga do Egito", desenvolvida pela Polícia Federal, no dia 26 de novembro de 2003 em Roraima, deflagrando o esquema de corrupção conhecido como "Escândalo do gafanhoto" que consisti na contratação de funcionários fantasmas que "comiam a folha de pagamento" do governo estadual.

Fontes de Roraima dizem também que Neudo é um sujeito inescrupuloso, infame e que levará às últimas consequências suas pretensões de tentar sentar na cadeira de governador de Roraima às custas de um golpe, com ares de legalidade, contra um candidato eleito democraticamente pelo próprio povo.

Continua
(Próximo post tratará do casal João e Janete capiberibe, no Amapá, exemplos de vida, sendo perseguidos pelo chefe de umas das oligarquias mais retrógradas do país)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MARCA DO ATRASO POLÍTICO





- O Estado de S.Paulo

A tranquila recondução de José Sarney à presidência do Senado Federal, para mais um mandato de dois anos – o quarto -, pode parecer um saudável sintoma da estabilidade política de que o País necessita para evoluir na consolidação das instituições republicanas e do desenvolvimento econômico e social.

Na verdade, é uma garantia de tranquilidade para o governo, que continuará dispondo, no comando da Câmara Alta, de um aliado exigente em termos de contrapartidas, mas subservientemente fiel e prestativo.

A recondução de Sarney à presidência do Senado é uma marca do atraso político que o Brasil não consegue superar. É o tributo que a Nação é obrigada a pagar, em nome de uma concepção falsificada de governabilidade, ao mais legítimo representante das oligarquias retrógradas que dominam e infelicitam as regiões mais pobres do País.

Democracia e oligarquia são incompatíveis entre si.

Um oligarca como José Sarney, portanto, é incompatível com a democracia, da qual só lhe interessa o sistema eleitoral que manipula sem constrangimento para se perpetuar no poder.

José Sarney está no poder, quase que ininterruptamente, há mais de meio século. Pelo menos desde o golpe militar de 1964, quando se elegeu governador do Maranhão, com o apoio do presidente Castelo Branco, e depois senador desse Estado por dois mandatos consecutivos. Presidiu a Arena, depois PDS, e em 1985, quando pressentiu a irreversibilidade do processo de redemocratização do País, em troca da candidatura a vice-presidente, coliderou a dissensão que resultou na eleição do oposicionista Tancredo Neves. Com a morte deste, a Presidência da República caiu-lhe no colo.

Depois de um mandato que registrou seguidas crises econômicas, o estouro da inflação e uma controvertida moratória, Sarney criou condições para que o País se encantasse com um “caçador de marajás”, na eleição presidencial de 1989. Isso acabou lhe custando um breve período – os dois anos e sete meses de Fernando Collor na Presidência – distante do poder. Mas logo em seguida, já em fins de 1992, com Itamar Franco na Presidência, o senador Sarney estava novamente na situação.

Paralelamente, o clã Sarney consolidava seu poderio econômico, com um complexo de negócios cuja face mais visível é o Sistema Mirante de Comunicação, o maior grupo privado de comunicação do Maranhão, proprietário de emissoras de televisão e de rádio e do diário O Estado do Maranhão.

Mas a completa simbiose do senador maranhense eleito pelo Amapá com o Poder Central ocorreu a partir da chegada do lulo-petismo ao Palácio do Planalto. Imune a pruridos éticos, Lula não demorou em transformar aquele que fora um dos alvos preferenciais de seus ataques, quando na oposição, em um aliado indispensável. O primeiro grande serviço prestado pelo senador ao novo amigo ocorreu quando estourou o escândalo do mensalão e Sarney ajudou a convencer a oposição de que Lula deveria ser preservado. A recompensa veio em 2009, quando Sarney ocupava pela terceira vez a presidência do Senado e estourou uma série de escândalos na administração da Casa. Foram, então, apresentados 11 pedidos de cassação de seu mandato à Comissão de Ética do Senado. Lula acionou sua tropa de choque e dessa vez o preservado foi Sarney.

A essa altura até a mídia internacional já se tinha dado conta do que representava o homem forte do governo Lula. Logo após sua terceira eleição para a presidência da Câmara Alta, em 2009, Sarney foi o protagonista de ampla reportagem da revista inglesa The Economist. Sob o título "Onde os dinossauros ainda vagam" , a matéria assinada pelo jornalista John Prideaux classificava o evento como uma “vitória do semifeudalismo”.

Inabalável, o eterno governista disse que fará mais um “sacrifício pessoal”, ficando mais dois anos na presidência do Senado. Como se não tivesse sido o principal personagem do escândalo dos “atos secretos”, afirmou, ainda impávido, que “a ética, para mim, não tem sido só palavras, mas exemplo de vida inteira”. Só se emocionou, chegando às lágrimas, quando lembrou que este será o seu último mandato legislativo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

LICENÇA PARA CONFUNDIR (BELO MONTE)

COLUNA NO GLOBO

Licença para confundir

No último absurdo de Belo Monte, um presidente interino do Ibama deu uma licença parcial que vai provocar um dano permanente, a “supressão da vegetação”. O Ministério Público entrou ontem com uma ação contra a licença. O BNDES emprestou R$ 1,1 bilhão ao grupo, mas garante ao MPF que exigiu que a empresa nada fizesse no local antes da licença de instalação total.

O Ministério Público entrou com uma ação ontem contra a concessão da licença de instalação parcial. Na comunicação do Ibama, eles definiram essa concessão com o curioso nome de “licença específica” para os “sítios” de Belo Monte e Pimentel. Na lei, o que existe é licença prévia, que é um primeiro sinal ao empreendedor, entendido como aprovação do Estudo de Impacto Ambiental. No caso de Belo Monte, essa primeira licença foi concedida, mas com 40 exigências. Em seguida, cumpridas as exigências, é dada a licença de instalação.

O BNDES concedeu tempos atrás um empréstimo ponte de R$ 1,1 bilhão à Norte Energia, que fará a hidrelétrica de Belo Monte, exigindo, no entanto, que ela não faça qualquer intervenção no “sítio”. Só que as árvores do “sítio” começarão a ser derrubadas a partir dessa licença parcial.

O texto da documento do BNDES ao Ministério Público, que tenho em mãos, é claro. Diz que na minuta do contrato “figura a obrigação explícita para a beneficiária de não efetuar qualquer intervenção no sítio em que está prevista a construção da usina sem que tenha sido emitida a Licença de Instalação do empreendimento como um todo.”

O presidente substituto do Ibama, Américo Ribeiro Tunes, me disse ontem que não foi concedida a licença de instalação do empreendimento.

— Essa é uma licença apenas para fazer trabalhos específicos. Instalar o canteiro de obras, escritório, terraplanagem, alojamentos de trabalhadores.

Na conversa, ele várias vezes falou da licença definitiva no condicional: “se” ela for concedida; “caso ela venha a ser aprovada.” Eu perguntei a ele o que aconteceria com a vegetação suprimida caso a licença não fosse concedida; como seria possível pôr de volta no mesmo lugar uma árvore centenária que pode ser derrubada a partir de agora?

— Eles terão que replantar tudo. Aquelas áreas para as quais foi concedida licença de supressão da vegetação estão alteradas. Não estamos falando de áreas tão intactas assim. Além do mais, é uma área pequena — disse Américo Tunes.

O terreno de 238 hectares tem até 64 hectares em área de preservação permanente. Pode não ser grande, mas deu mais ambiguidade ao processo. Pode-se instalar um canteiro de obras de uma obra que pode não ser feita. É permitido desmatar até área de preservação permanente, apesar de haver incerteza sobre a licença. O BNDES concedeu um adiantamento de mais de um bilhão de reais desde que não se mexa no “sitio”, e o “sítio” ganha o direito de ser mexido apesar de não ter ainda licença de instalação do empreendimento.

Américo Tunes alega que é comum essa concessão em etapas da licença de instalação. Ninguém acha que isso é comum. Especialistas em direito ambiental dizem que existem mesmo só aquelas três formas de licença que se conhece: prévia, de instalação e de operação. Essa figura do “específica” e “parcial” não existe na legislação.

O presidente do Ibama garante que o que ele concedeu não permite o início das obras:

— Só posso conceder essa licença depois que a empresa cumprir as 40 condicionantes que foram exigidas na licença prévia. Essa é uma obrigatoriedade legal que temos que respeitar. Temos consciência da nossa responsabilidade. Eu te asseguro que se elas não forem cumpridas, a licença não será concedida. Neste caso, a empresa terá que fazer a desinstalação do que foi autorizado agora e recuperar a área.

É o samba da licença doida. Ela é e não é, pode-se desmatar uma área, incluindo-se APP, pode-se fazer a terraplanagem de dois “sítios”, montar centro de alojamentos, lavanderia, almoxarifado, oficina de manutenção, borracharia, lubrificação, centro de conveniência, centro de atendimento ao trabalhador, portaria, central de carpintaria, canteiro industrial pioneiro, instalações provisórias de britagem e produção de concreto, sistema de abastecimento de água, esgotamento sanitário, 52 kms de estradas, sendo 42 kms de ampliação e 10 kms de novos trechos, áreas de estoque de solo e de madeira.

Tudo isso acima está escrito no documento oficial do Ibama, cujo presidente diz que a licença de instalação do empreendimento não tem data para ser concedida, depende dos técnicos, pode não sair, e, se não forem cumpridas as 40 condicionantes, não será concedida.

O Ministério Público perguntou ao BNDES quanto custa a obra e quanta energia ela vai produzir. O governo costuma dizer que são 11 mil MW e a um custo de R$ 19 bilhões. O banco respondeu: “a capacidade de geração estabelecida no contrato de concessão com a Aneel é de 4.571 MW médios de energia assegurada.” O valor de R$ 19 bi é do empréstimo pedido até agora. Segundo o BNDES, o custo previsto de Belo Monte é de R$ 25,8 bilhões e o banco pode financiar até R$ 24,7 bi. Ou seja, o BNDES poderia emprestar até 95,7% do total. Uma concentração de risco inaceitável na prática mais elementar da prudência bancária.

Tudo está sendo atropelado: técnicos do Ibama, meio ambiente, limites fiscais, precaução técnica, termos dos contratos com o BNDES, princípios jurídicos, normas democráticas. Na democracia, o administrador público convence, não passa o trator sobre controvérsias tão agudas.


Por Miriam Leitão

(Nota: Agradeço a jornalista Miriam Leitão, que me permitiu a replicação de seu artigo aqui em meu Blog)