sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O PARAENSE, O PORTUGUÊS E ICOARACY.....



Cerâmica Marajoara e Tapajônica, umas das atrações de Icoaracy: Um lindo Distrito de Belém, mas com a população entorpecida.



Estive em icoaracy a trabalho, e conversei com um português,dono de um estabelecimento comercial de peças de carro, e fiquei algo surpreso quando, ele disse que em Portugal e na Europa como um todo, não existem praticamente Hospitais Privados...

Ele também disse que as escolas todas são públicas...

Não há escolas privadas, e nós conversamos sobre o modelo brasileiro, que faz com que paguemos caro por escolas, hospitais, planos de saúde..etc, mesmo tendo nossos impostos arrecadados para nos dar isso, e, no entanto, não há retorno, os serviços públicos brasileiros em geral são péssimos, e até o referido jovem português (em contraste com a maioria que reside em Belém, que são bem idosos)citou a cidade de Guimarães, em seu país, que tem cerca de 100 mil habitantes, e possui um hospital público todo equipado, funcional, que é melhor - ainda segundo ele - que qualquer hospital privado em Belém...

Como estávamos em Icoaracy, que calculamos possuir cerca de 400 mil habitantes, possui o distrito o hospital Abelardo Santos, que está longe de atender a enorme demanda do distrito, e ainda de ilhas ao redor...

O Português disse que em comparação com os do seu país, este hospital não passa de um pronto-socorro, ou menos que isso....

Ele falou que não por falta de dinheiro que essas demandas públicas básicas não são atendidas aqui, o que concordei, e complementei dizendo que no Brasil temos os coronéis, que se organizam em oligarquias que emperram o desenvolvimento de municípios e estados, e no país como um todo, promovendo a má política, que é aquela que se distribui cestas básicas em troca de votos, e na distribuição indiscriminada e sem planejamento de Bolsas, como a Bolsa-Família, que tem se constituído no maior programa de compras de voto do mundo...

A Primeira coisa que essas oligarquias fazem, é matar a míngua a educação, que seria uma arma da população, e para eles quanto mais gente ignorante com título de eleitor na mão, quanto melhor...

Como a educação pública é precária, o cidadão comum não se atenta que ao receber cestas básicas, dinheiro, tijolos, cirurgias..etc em troca de seu voto, ele pagará muito mais caro lá na frente, talvez pague até com a vida, pois o mau político que usa desses expedientes é um político medíocre, e será medíocre gerindo os recursos públicos arrecadados, tornando a vida daquele cidadão que se vendeu um inferno...

Como um bumerangue, a 'lei de retorno' fará esse mesmo cidadão perder um ente querido na porta de um hospital ou pronto socorro,(se não morrer ele mesmo) será destroçado por um carro desgovernado cujo mal motorista está com habilitação vencida ou IPVA atrasado, que devido a má gestão do Município,(que este mesmo cidadão legitimou), não há guardas municipais suficientes para fiscalização...

E por aí vai a lista de pesadelos que o cidadão, desatento e manipulado, sofrerá...

Mas eu tinha que terminar meu trabalho, e também o simpático português foi atender um cliente, e nos despedimos para uma próxima oportunidade para uma nova conversa deste nível, que eu torceria que fosse feita em cada esquina e roda de amigos daquele distrito, mas que infelizmente ainda não é...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BELO MONTE: CONSTRUÇÃO da BARRAGEM AUMENTA a VIOLÊNCIA

15/09/2011

Belo Monte, saldo parcial: onze taxistas presos, um menino morto, uma delegacia invadida e um homem sem orelha

Ruy Sposati, de Altamira (PA)

Um menor de idade morto, um homem com o rosto desfigurado, uma delegacia invadida por quarenta trabalhadores - onze deles detidos, um resgate na prisão e justiça feita com as próprias mãos. Este é o saldo de um final de semana em Altamira, principal cidade da região afetada pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Para autoridades policiais e movimentos sociais, a construção da barragem aumenta a violência - e vem desacompanhada de políticas públicas ou mesmo de reforços de contingente policiais.

Segundo o superintendente regional da Policia Civil, o delegado Cristiano Nascimento, não há efetivo suficiente para atender às necessidades, que tem crescido com o início da construção dos alojamentos do canteiro de obras da hidrelétrica. "Somente em Altamira, a criminalidade aumentou 28%, do ano passado para cá. Neste período, sem que novos policiais tivessem sido trazidos para a delegacia", expõe.

Nascimento lembra que a regional é responsável por atender nove municípios da região, e não apenas Altamira. "Neste momento, precisaríamos de 50% a mais do que contamos hoje", acrescenta. Segundo ele, este número dobraria, caso Belo Monte siga seu ritmo de construção.

"As consequências de uma obra como esta, ainda em fase embrionária, são muito mais nefastas e complexas do que os discursos públicos do Ibama e do governo deixam transparecer", comenta a coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antonia Melo. "A criminalidade cresce e, claro, também cresce entre as camadas mais jovens e empobrecidas da população. O que vai acontecer com toda essa juventude? O que vai ser da vida aqui?", questiona. Para ela, Belo Monte é um caos e o governo sequer consegue colocar panos quentes em questões simples, como o aumento do reforço da polícia civil na região. "Nem isso eles fazem, o que dirá uma política pública séria que realmente trate de todas as consequências desse monstro... A cidade está completamente fora de controle. O governo e a Norte Energia simplesmente estão ignorando a vida de quem mora no entorno deste monstro que eles querem construir", lamenta.

Condicionantes

Sobre as condicionantes, o delegado é bastante explícito. “Sabe-se que há um planejamento para atender a região e que a Norte Energia assinou convênio com o estado de 174 milhões para a segurança, mas entre o planejamento e a execução, tem um pulo muito grande”. Para que haja contratações, é necessário haver concurso público - e segundo Nascimento, não há ainda nem o edital do concurso lançado. "Ou seja, até que seja feito o concurso, chamados e treinados, os novos policiais só poderão chegar em, no mínimo, um ano".

Para o representante do Instituto Socioambiental, Marcelo Salazar, as obras deveriam ter começado apenas depois que a região estivesse preparada para suportar as consequências que uma obra deste porte carrega consigo. "É um crime o IBAMA ter liberado essa licença. A quem será responsabilizado o caos que estamos assistindo? Ao taxista assaltado que não achou aparo na justiça e buscou soluções fora dela? Ao delegado que não tem condições de realizar seu trabalho? A falta de planejamento da prefeitura e do estado por não aparelhar a segurança da cidade?", levanta. Marcelo também credita a responsabilidade pela violência e desamparo à Nesa e ao governo federal a responsabilidade. "Eles conseguem planejar e executar as obras, mas não consegue cumprir as condições prévias de preparação socioambiental que uma obra dessa envergadura exige - e ainda afirmam que tudo está sub controle, escondendo a sujeira, o descaso, os próprios crimes", pontua.

Entenda

No sábado (10), um taxista foi assaltado, humilhado e quase morto em Altamira. Foi à pé até a delegacia, somente de cuecas, registrar a ocorrência.

Prevendo que seus pertences não seriam resgatados, organizou-se com outros trabalhadores e foram, em grupo, atrás dos criminosos. Não conseguiram reaver o que foi roubado, mas carregaram dois dos ladrões até a delegacia. Um foi preso e o outro foi liberado, por ser menor e idade.

Os taxistas voltaram novamente à residência do menor de idade, em busca dos pertences. Houve um conflito e o irmão do menor que estava na delegacia - também menor, com 15 anos de idade - foi morto, após esfaquear o rosto de um dos taxistas.

A polícia, então, deteve o taxista desfigurado por suspeita de homicídio, o que revoltou seus colegas de trabalho. No domingo (11), a delegacia regional da Polícia Civil de Altamira, no Pará, foi invadida por 40 taxistas. Eles renderam o delegado, um escrivão e um agente, entortaram com as mãos as grades apodrecidas do presídio e resgataram o taxista. O resultado foi a prisão de onze taxistas envolvidos no "resgate".

Neste mesmo final de semana, uma mulher foi assassinada. O culpado não foi encontrado. Na sexta-feira que antecedeu o feriado de 7 de setembro, três jovens foram esfaqueados e mortos na porta de uma discoteca na principal avenida da região central da cidade.

Ruy Sposati é jornalista e integrante do Movimento Xingu Vivo

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PLANO de MUDAR A CAPITAL JÁ PRONTO NA MESA DOS FAZENDEIROS CASO SAIA A DIVISÃO



Já trabalhei em Marabá, e tenho muitos amigos na região sul e sudeste do Pará, onde seria o hipotético estado de Carajás.

Há uma semana, conversei com três deles que estavam de passagem em Belém, onde tem negócios.Residem em Redenção, embora sejam de sapucaia.

Antes de repassar aqui o que eles me relataram, a respeito do plano que está na mesa dos fazendeiros daquela região com os quais esses amigos tem contato muito próximo, por terem relações profissionais com os mesmos, capturei no Blog do Nassar, um artigo que vem a ser a "cola" ou o "quebra cabeça" que faltava para montar o fidedigno e privilegiado relato que me passaram, confirmando o que os mesmos disseram, vamos ao texto:

Marabá seria apenas capital provisoria de carajás

Segundo o diretor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Jandir Merla, Marabá seria uma capital provisória e a capital definitiva seria construída entre os municípios de Eldorado dos Carajás, Xinguara, Sapucaia e Rio Maria.

“É justamente nessa faixa do estado paraense que Daniel Dantas (foto, acima, no centro) mais comprou terras nos últimos tempos, vejo o gado como fachada, pretexto. Para mim, o grupo de Dantas por ser muito forte teve informações privilegiadas e sabia que a nova capital de Carajás poderia ser construída naquela região”, diz.

O texto completo pode-se ver em http://www.brasildefato.com.br/node/7300, copie e cole em seu navegador.

Posto este texto, o que meu amigo (que prefiro preservar-lhe de dizer seu nome, evitando exposição desnecessária) disse foi que os fazendeiros da região pretendem colocar a capital do Carajás, caso ele saia, na faixa de terras que o texto acima menciona, porque seria uma forma de vender cerca 500 mil alqueires de terras ao Incra, e este distribuir em lotes de 10, 20 mil alqueires, para se fazer reforma agrária,já que há uma pobreza reinante (e mantida) na região, principalmente de migrantes maranhenses fugindo da devastação da oligarquia dos Sarney.

Assim, como se previa, a venda milionária (ou bilionária) ao Incra, único em condições de comprar tamanha quantidade de terras, que grande parte foi grilada, fará circular dinheiro em circuito fechado nos bolsos de poucos, e pior, dinheiro público, nosso, que tornará mais milionários, bilionários uma dúzia de fazendeiros e empresários da região que já são multi-milionários....

Como se previa, a divisão beneficiará poucos, em detrimento dos muitos pobres que tem esperanças que suas vidas mudem...

A pobreza na região, como disse, não é combatida porque é necessária,tanto que este meu amigo viu com seus próprios olhos o supermercado araguaia, em Redenção, distribuir cerca de 300 cestas básicas para o MST e demais migrantes miseráveis vindos em geral do Maranhão,e porque distribuem cestas básicas?

Justamente porque essa massa de indigentes será importante no plano maquiavélico dos fazendeiros e empresários da região, então é interessante para eles mantê-los por perto, para lhes distribuir os lotes....

Um dos amigos disse que mais de 200 cabeças de gado morreram na agropecuária santa bárbara, recentemente, controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, e nada foi feito...ninguém ligou....porque? "porque os gados são para lavar dinheiro" me relatou o outro amigo da região....

Então, seria incorreto inferir que todos que estão empenhados na proposta de dividir o Pará tem o mesmo pensamento escuso, mas certamente grandes e intrincados interesses permeiam nas mesas dos fazendeiros da região que abriga milhares de cabeças de gado, 11 helicópteros, entre outras riquezas com dinheiro sabe-se-lá-de-onde...

Para estes, a divisão, se vier a sair, será uma grande negócio....

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SHOW DE NILSON CHAVES





O Prestigiado cantor Paraense Nilson Chaves fará um show beneficente a realizar-se amanhã, (08 de setembro)no Teatro Margarida Schivassappa, no Centur, às 20h.

O Valor do ingresso, será revestido para o Centro de Valorização da Vida, (CVV) posto de Belém do Pará.

Fundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973, mantenedora e responsável pelo Programa CVV de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio, desenvolvido pelos Postos do CVV em todo o Brasil. .


Através dos Postos espalhados por todo o país, presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional, oferecido a todas as pessoas que querem e precisam conversar sobre suas dores e descobertas, dificuldades e alegrias.



O trabalho consiste no diálogo compreensivo e na doação incondicional do calor humano. O Voluntário trabalha no sentido de compreender a pessoa que procura o CVV, dessa forma, valorizando sua vida. O atendimento é feito por telefone, pessoalmente, por correspondência, chat ou e-mail. A pessoa que procura o CVV tem o sigilo assegurado, a total privacidade e anonimato. O atendimento ocorre em clima de profundo respeito e confiança.

Basta que a pessoa ligue para o telefone 141, ou acesse o site www.CVV.org.br para falar com o Posto CVV de sua região.

O Posto de Belém fica localizado na Presidente Vargas.

Compre seu ingresso, e ajude a manter esse trabalho dignificante, e ainda por cima terá um show de alto nível na voz consagrada do nosso cantor Paraense Nilson Chaves, ícone da Música brasileira.

Quem tiver interessado ligar para o número: (91) 8118.8469 ou 3225.6258 em qualquer horário, (falar com Fábio Macedo) ou mande e-mail para mim>> fabiodimacedo@gmail.com, corra que já há poucos ingressos!

Desde Já muito Agradecido!

BELO MONTE: O PARÁ COLÔNIA




Violações à lei, ao meio ambiente e ao ser humano na Amazônia

Artigos de Felício Pontes Jr., procurador da República no Pará e mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela PUC-Rio.
Belo Monte: o Pará colônia
Felício Pontes Jr.
(artigo publicado pelo Diário do Pará em 07/09/11)

A notícia caiu como uma bomba mesmo sobre setores que acham que a hidrelétrica de Belo Monte é sinal de desenvolvimento no Pará. Os grupos encarregados da obra compraram algo entre R$ 50 mi e R$ 1,3 bi em máquinas e equipamentos em outros estados.

Logo algumas autoridades do estado protestaram. Com razão. Ameaçaram barrar a entrada das máquinas se não houver pelo menos o pagamento da diferença do ICMS. Com razão também. Mas é o máximo que podem exigir: uma parcela do imposto. A outra já está nos cofres de estados como São Paulo e Espírito Santo.

Esse fato merece reflexão. Ele é o oposto da propaganda feita pelos arautos de Belo Monte desde os tempos da ditadura militar, quando o projeto foi concebido. Seus mentores sempre disseram que o Pará iria ganhar muito com o barramento do rio Xingu. A começar pelos imposto arrecadados.

O principal imposto nesses casos – o ICMS – não é cobrado na geração de energia, mas sim no consumo. Como o Pará será o destino de apenas 3% da energia de Belo Monte – se tanto –, nota-se que 97% da energia produzida aqui deve gerar dinheiro para os cofres públicos de outros Estados.

Segundo o próprio Diário do Pará informou recentemente, um cálculo ligeiro projeta em valor próximo de R$ 2 bilhões anuais o montante das perdas com ICMS que o Pará vai experimentar com a usina do Xingu.

Ao Pará sobraria o imposto pela compra de equipamentos na fase de construção da usina. Embora não seja uma receita mensal como o consumo de energia, poderia significar dinheiro para atender gestantes prestes a dar à luz em portas fechadas de maternidades. Mas, com a compra dos equipamentos em outros estados, nem isso sobrou ao Pará.

Os primeiros atos dessa ópera trágica que é Belo Monte em todos os sentidos – ambiental, social e econômico – mostram que somos colônia. Estamos longe da independência, apesar de termos contribuído no ano passado com US$ 12 bi para o saldo da balança comercial brasileira. Somos o segundo maior estado em volume de divisas para o Brasil.

Aos olhos dos setores da sociedade paraense que promovem o modelo socioambiental de desenvolvimento não há nada de novo. Quem vive da exploração sustentável dos recursos da floresta pode repetir o dito popular: está tudo como dantes no quartel de Abrantes.

A floresta vira carvão para alimentar os fornos das guseiras. Ou soja apara alimentar os porcos da Europa. Ou pasto para formar a ineficiente equação de um boi/hectare. Ou é inundada para produzir energia para empresas de outros países...

Nesse dia da independência do Brasil, Belo Monte nos ajuda a entender como vamos nos tornando cada vez mais colônia. A banda de rock paraense dos anos 80 Mosaico de Ravena já perguntava: “Por que ninguém nos leva a sério? Só o nosso minério?”.

Muito tempo se passou desde que os cabanos fizeram sua revolta contra a exploração, mas talvez seja um pouco do espírito de resistência deles que ande nos faltando nesses tempos tão modernos.



O autor é procurador da República no Pará e Mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela PUC-Rio

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

OS CAMINHOS TORTUOSOS DA PROPOSTA DE REDIVISÃO DO PARÁ




Este artigo sairia no semanário da Universidade da Amazônia (UNAMA) em Jornal impresso e On-Line denominado "comunicado",(http://www.unama.br/comunicadoOnLine/), neste dua 5, mas uma de suas editoras me informou que mudou-se o foco,(fui inclusive solicitado para escrever algo sobre o Círio que se avizinha, que é o foco que eles estão no momento)e, portanto, uma vez também que já havia sido publicado artigo sobre o mesmo tema na semana retrasada, e, por conseguinte, meu artigo ficará em stand-by para ser publicado posteriormente.

Enquanto isso não acontece, publico o mesmo aqui para que os caros amigos deste espaço leiam, em primeira mão, o que será publicado futuramente pela Unama (em versão resumida, por falta de espaço), seus comentários serão bem-vindos, ei-lo:

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Foi uma tremenda irresponsabilidade dos Deputados Giovanni Queiroz, (PDT), Lira Maia (DEM) e do ‘Zequinha’ Marinho (PSC), lançarem mão de uma manobra para aprovar o Plebiscito que no dia 11 de Dezembro, os paraenses se verão obrigados a votar: pelo ‘sim’ (a favor da Divisão) ou ‘Não’ (Contra a Divisão) do estado do Pará.

A manobra foi a seguinte: Primeiro os três escolheram bem o dia, uma quinta-feira, quando a maioria dos parlamentares já deixou Brasília.Depois, ameaçaram obstruir a pauta na Câmara Federal , caso o projeto de desmembramento do estado do Pará não fosse aprovado apenas pelos líderes, sem precisar ir ao plenário para a votação coletiva.O Governo, empenhado em limpar a pauta para aprovar seus principais itens, cedeu...

Eu digo irresponsabilidade, porque além de não ter sido discutido e votado em plenário, como o bom senso pedia, a proposta não tinha (não tem, na verdade) nenhuma base técnica e científica de que o estado do Pará dividido em três trará o que a população daquelas regiões (de forma legítima) tanto almejam: Desenvolvimento e cidadania.

Somente depois de aprovado plebiscito, (e não antes, como deveria), é que foram feitos projeções, pelo IPEA, que demonstraram que os novos estados já nasceriam deficitários e com custos enormes de manutenção por parte da União.

Na Bahia, por exemplo, onde se teve uma proposta de divisão, foi logo sustado porque estudos técnicos do governo baiano indicavam que o novo estado do São Francisco seria “pobre, inviável, concentrador de riqueza e com dificuldades de geração de investimentos para os municípios menores”, afirmou Geraldo Reis, responsável pelo estudo.

Porém, como já diz o adágio popular, “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Embora os referidos parlamentares tenham jogado a população paraense no escuro, tendo que votar algo sem nenhuma garantia técnica de que essa proposta traria melhorias, eles – inadvertidamente, é bom que se diga – propiciaram um salutar debate que nunca houve na História deste estado e deste país: O debate sobre a situação de todos os Paraenses, nativos ou de coração, nos quatro quadrantes deste estado.

A questão central, em minha avaliação, são duas: Gestão e Receber o que tem de direito pelas riquezas que geramos.

Temos que lutar para que o Pará receba o dinheiro do imposto de circulação de mercadorias e serviços (ICMS) de sua energia elétrica, pois é taxada no estado que a recebe (destino) e não no Pará (origem) o que faz o estado deixar de arrecadar cerca de um bilhão de reais por ano, com a nossa Hidrelétrica de Tucuruí...

O Estado do Pará também não recebe o ICMS na exportação de seus minérios, isso mesmo, pasmem! VALE não paga um centavo ao Pará devido a uma Lei Iníqua chamada Lei Kandir, que fez o Pará deixar de receber, desde que ela entrou em vigor, (em 1996), 21 bilhões de reais, cerca de 1,5 bilhão de perdas por ano, segundo recente estudo do tribunal de contas do estado (TCE).

Esta lei foi criada para desonerar as exportações de produtos elaborados e semi-elaborados como minério e madeira, pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, com a justificativa de melhorar a competitividade das exportações brasileiras, o Pará, cuja base de exportação permanece em sua maioria atrelado a estes itens, é um dos estados mais prejudicados....

E, por fim, melhorar a gestão deste estado, para que os recursos cheguem à toda a sua extensão territorial.Umas das maneiras disso acontecer é promover a descentralização.Lugarejos distantes, por exemplo, que não tenham juízes, que coloque novas varas, e para isso não precisa ter o ônus bilionário da divisão.

Se nós nos unirmos (sociedade civil, parlamentares e empresários) e recebermos esse dinheiro que é nosso de direito, (e somos desrespeitados pelo governo federal) aliado a uma gestão competente, os recursos serão suficientes para todos.Mas veja que, no final das contas, a questão-chave é unir, e não separar...o caminho do almejado desenvolvimento é justamente o oposto desta proposta de divisão.

domingo, 4 de setembro de 2011

Pergunta x Resposta sobre ter armas em casa e suas consequências na perspectiva espiritualista



Ter armas em casa (seja revólver, espada, etc) ou ter que trabalhar com elas (no caso de policiais ou praticantes de esportes) pode trazer algo de negativo para quem as usa? Só o fato de uma arma ser concebida para causar dano já cria uma "egrégora" r

Já leu o Baghavad Gitá?

Entendo que o policial ou segurança que precisa usar uma arma no exercício de sua função apenas cumpre seu dharma (missão de vida, ocupação, realização), como Arjuna. Realiza seu papel no mundo, um papel importante e justo, mesmo que um dia precise usá-la.

Já quem tem arma em casa por "suposta" segurança, não está cumprindo seu dharma. Ao contrário, ele a possui por imaginar mentalmente uma situação crítica e negativa. E pior, reagiu fisicamente (comprar a arma) a uma situação infeliz que criou em sua própria cabeça. Não é de seu dharma matar. Mas é uma atitude (karma) comprar a arma, já prevendo intencionalmente a consequência (karma, ação e reação).

A arma não "cria" uma egrégora. O conceito de egrégora implica em uma série de pessoas fazendo uma atitude por uma série de tempo, uma espécie de holopensene coletivo (pensamentos+sentimentos+energias), a ponto daquilo criar uma instância "protetora" da sua existência. Pelo conceito espiritualista, o comprador da arma tem um holopensene, mas não uma egrégora. Ele talvez ALIMENTE uma espécie de "egrégora negativa", um arremedo de egrégora, mas chamaríamos isso mais de um holopensene coletivo, que não é o mesmo que egrégora (que religiões e ordens tem). Em termos populares, ele entra na "onda baixo astral" paranóica e coletiva em que tanto Datenas quanto bandidos quanto telespectadores sintonizam e alimentam, um mundo mental bárbaro onde todos devem matar e morrer, onde perigos persecutórios estão para todo lado.

Do ponto de vista espiritualista e energético, não seria surpresa se os telespectadores desse tipo de programa ou compradores de armas de fogo atraíssem mais assaltantes que a média, afinal, eles se retro-alimentam mentalmente, e comprar uma arma pensando em matar alguém (ainda que em suposta defesa), além de ser "karma", também é uma maneira de aumentar uma suposta guerra cada vez mais mortal. Quanto mais riscos de armas em casas, pode estar certo que mais agressiva e fatal precisará ser as ações dos bandidos.

Então, pela lógica espiritualista, dentro das crenças desse paradigma, SIM, ter armas em casa seria algo negativo, e poderia até mesmo atrair coisas ruins. Já usá-las como parte de uma profissão necessária e de interesse coletivo, não, até mesmo ao contrário, pois nesse caso sim, as corporações teriam a sua "egrégora" protetora (aí sim egrégora de fato, e não apenas um holopensene coletivo e negativo).

Por outro lado, de acordo com o pensamento de algumas linhas budistas, perguntar-se-ia porque a intenção de trabalhar em algo que causa dor ao semelhante. No caso do policial, a intenção do dharma é proteger. Mas trabalhar em uma indústria de armamentos, por exemplo, mesmo indiretamente, não seria o que chamam de "trabalho lícito". Na medida do possível, o adequado seria ter ações - no amor, no trabalho, na vida - que evitem causar sofrimento aos semelhantes. O dharma de um bom policial seria uma (boa) excessão, que não deveria ser usado para justificar a posse de armas por cidadãos comuns - até exatamente por já haver pessoas preparadas para exercer esse dharma.


Resposta dada por Lázaro Freire,(Foto) Psicanalista e Filósofo. Palestrante Espiritualista, Escritor e Tecladista. Ex-Eng de Software, Ex-Corpiano e Ex-Comungado. Cri-crítico, herege e piadista.Criador do maior fórum virtual sobre estes temas.Seu Formspring é>> http://www.formspring.me/LazaroFreire?utm_medium=email&utm_source=notifications&utm_campaign=bimonthlydigest?1315149264808