domingo, 31 de julho de 2011

Jesus Cristo ou Barrabás?



Por Ricardo Jordão


Quatro anos atrás, o lula deveria ter interrompido o Jornal Nacional para fazer o seguinte pronunciamento:

"Caros Brasileiros e Brasileiras, existe uma grande chance do nosso querido país ser escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

Mas antes de batermos o martelo com os nossos camaradas da Fifa e CBF, Nike e Coca-Cola, Rede Globo e Cervejas, eu gostaria de saber a opinião do povo brasileiro sobre o que devemos fazer.

Para tanto, eu convido a todos vocês a participarem de um plebiscito nacional a favor ou contra a realização da Copa de 2014 no Brasil.

A situação é a seguinte: pelas nossas estimativas iniciais, vamos gastar 40 bilhões de dólares para realizar a Copa no Brasil.

MAS, como vocês mesmo sabem, NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS fizemos alguma obra dentro do prazo e muito menos dentro do orçamento inicial.

Nós somos muito ruins de planejamento e execução; e ainda temos que contar com toda a problemática da corrupção que rola solta nesses momentos.

Portanto, em "off", eu acredito que vamos torrar 120 bilhões de dólares para fazer a Copa no Brasil. 120 bilhões de dólares! É dinheiro para xuxu.

Para conhecimento Wikipediano de vocês, esse valor - 120 bilhões de dólares - é maior que os gastos somados das últimas seis copas juntas!!!

Então, a decisão que eu gostaria que vocês tomassem é a seguinte:

Pega o seu telefone agora mesmo e disque 1 caso você acredite que o país deva investir 120 bilhões de dólares na realização da Copa de 2014 no Brasil, e Disque 2 caso você acredite que devemos pegar esse mesmo valor - 120 bilhões de dólares - e investir na construção de escolas, hospitais, saneamento básico, estradas, aeroportos, melhores salários para professores, segurança e polícia, internet banda larga para absolutamente todos os brasileiros, faculdades, computadores populares e muito mais.

Pelas nossas contas, é possível construir 65 hospitais, 150 escolas, 23 faculdades, distribuir 1.5 milhões de livros didáticos, 250 mil computadores, resolver o problema de saneamento básico em 25 grandes cidades, e ainda construir 400 escolinhas de futebol para ensinar o "corpo são" para 40 mil crianças e jovens brasileiros.

"Cumpanheiro", não vale dizer que temos que fazer as duas coisas. Você e eu sabemos que não vamos conseguir. Coloca o pé no chão. Olhe o nosso histórico e encare a realidade de frente.

Portanto, a minha pergunta ao povo brasileiro é a seguinte:

Vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente como o país que realizou a Copa de Futebol mais cara da história do planeta, ou vocês preferem tornar o Brasil conhecido mundialmente pela qualidade das suas escolas e paz social para todos?

"Cumpanheiras" e "Cumpunheiros", eu adoro futebol tanto quanto todos vocês. Eu sou "Curinthiano" como milhões de outros brasileiros. Mas eu acredito que a prioridade do país não é exatamente futebol. Mas quem sou eu para achar alguma coisa, certo? Eu quero saber o que vocês querem para o país.

Então, Disque 1 se você é a favor da Copa, ou Disque 2 se você é a favor da educação e infraestrutura.

E concluindo, com a realização desse plebiscito eu quero deixar bem claro para todos que eu estou lavando as minhas mãos. O que vocês decidirem está decidido."

Infelizmente esse discurso nunca foi feito.

Meia dúzia de caras pálidas engravatados decidiram que a Copa de 2014 seria no Brasil, e assim foi, amém.

Passados quatro anos, os orçamentos para a Copa estão furados, estourados e incompletos. As estimativas mudam a cada três meses, as taxas de urgência vão pipocando aqui e ali, a distribuição de milhões de reais sem licitação já está rolando, e a bagunça só vai aumentar.

O importante, como todos dizem por ai, é não passar vexame perante o mundo. A Copa tem que acontecer. Custe o que custar.

O Brasil vai passar vexame. O loiro de olho azul sabe que estamos tocando fogo em dinheiro para fazer uma festa para ficar bem na fita quando todos os vizinhos sabem que dentro de casa não temos dinheiro nem para contratar um decorador para arrumar a nossa sala de estar.

A Copa é mais um erro de investimentos, tempo e recursos que o Brasil está fazendo. Mais um erro entre tantos que rolam por aqui. Somando o período de pré-Copa, Copa, pré-Olimpíada, Olimpíadas, vamos queimar 10 anos de investimentos públicos e foco de prioridades.

Se tivessem me dado a oportunidade de escolher, eu teria votado contra a Copa no Brasil.

A Copa é um evento supervalorizado. Os únicos que realmente ganham com a realização da Copa são a FIFA, CBF, os jogadores, as grandes construtoras, a televisão e os vendedores de cerveja. Ponto.

60 dias atrás o U2 tocou no estádio do Morumbi para 80 mil pessoas por noite. 80 mil!!! E posso te dizer que a cidade de São Paulo não parou porque o U2 estava no Estádio do Morumbi com 80 mil neguinhos. Te garanto que milhões de paulistanos nem sabiam que os caras estavam na zona Sul tocando para 80 mil carinhas. 3 jogos com 45 mil pessoas dentro não fazem nem cócegas na economia da cidade.

O circo da Copa é supervalorizado e inflacionado além da conta por aqueles que fazem a coisa toda acontecer justamente porque precisam fazer a galera acreditar que é preciso torrar dinheiro com esse circo.

Se, os jogadores da seleção tivessem o espírito que tinham o Pelé e o Zico, eu até diria que vale a pena investir nesses caras; mas com o tipo de seleção mercenária que tem hoje, vocês ainda vão armar o circo para esses "profissionais" do futebol moderno ganharem mais e mais dinheiro???

A Copa nada mais é do que a grande oportunidade dos jogadores valorizarem seus passes.

Além do mais, eu aposto o que vocês quiserem que apenas 30% das pessoas presentes nos jogos nos estádios da Copa serão estrangeiros. Os outros 70% serão brasileiros. Brasileiros que tem por baixo 800 reais sobrando para gastar com cada ingresso. O povão não vai conseguir nem vender camiseta pirata em volta do estádio. E os caras ainda votam na coisa toda.

O alemão, o holandês, o italiano, o inglês, o americano, não vão pagar o preço do ingresso, a viagem, hotéis, e o trabalho de se submeter ao sufoco que eles imaginam que podem passar em terra brasilis para assistir a Copa no Brasil.

Hoje, essa turma tem em suas casas televisões HD 3D de LCD de 50 polegadas, transmissão com múltiplas câmeras, som de alta definição etc.

Em 2014 essa galera terá televisões de 80 polegadas com ultra definição e sei lá mais o quê.

Por que sair do conforto do seu país, sofá e família para se aventurar a assistir 2 ou 3 jogos na América do Sul??

Poucos virão. Quem vai mesmo assistir ao jogo do Azerbaquistão Versus Coréia serão os torcedores do Atlético Mineiro, Flamengo e Sport.

E mais, a construção dos estádios da Copa não vai melhorar a vida da galera que mora em sua volta. Imbecil o cara que acredita nessa conversa fiada. Não existe qualquer plano para melhorar as casas e ruas ao redor. É só papo. A coisa nem começou, e não vai começar. É só você olhar para o Rio de Janeiro que cerca o Engenhão para ter uma boa idéia do que vai acontecer com Itaquera depois que o Estádio do Corinthians for construido por lá.Nada.

Por que eu estou escrevendo esse texto? Porque eu acredito que deveríamos PARAR a Copa. "Impeachment" no Ricardo Teixeira, FIFA e tudo que está rolando.

Como pode alguém liberar a coisa toda sem saber quanto vai custar???

E como pode todo mundo aceitar tudo que está rolando na boa sem qualquer reação ou sentimento de revolta???

Será que se eu enviar um tweet para a galera do Egito eles nos ajudam a virar a mesa por aqui?? Definitivamente os nossos universitários não são melhores que os universitários do Egito.

2 mil anos se passaram e o povo ainda não aprendeu. Eles preferem soltar o bandido (Barrabás) do que apostar na Coisa Certa (Jesus Cristo).

Quando finalmente temos a oportunidade de escolher o caminho da ética, moral e boa vontade, a galera escolhe o caminho do pão e do circo.

Vai Barrabás, cumpre a sua sina! Bota a bandidagem na rua, a galera assina embaixo!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?


fonte: http://www.bizrevolution.com.br/

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Copa do Mundo, Esporte, Política: Eduard Streltsov: A incrível história do Pelé Russo.

No dia de hoje, em que será realizado no Rio de Janeiro o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, este Blog dá um presente aos seus leitores, conta uma história incrível, que remonta a Copa do Mundo de 1958, na suécia, de um jovem soviético, um grande craque do futebol, rebelde ao regime totalitário de então, que pagou caro por desafiá-lo, mas que deu a volta por cima, e ficou na história pela sua perseverança e pela conservação dos seus ideais de liberdade e lealdade levados às últimas consequências.Vale a Pena.Talvez precise de um lenço, sua lágrimas podem cair.Veja:








Streltsov retratado em uma moeda especial de dois rublos

Informações pessoais

Eduard Streltsov Эдуард Стрельцоb (Ficha):

Nome completo Eduard Anatolyevich Streltsov
Data de nasc. 21 de Julho de 1937
Local de nasc. Moscou, União Soviética
Falecido em: 20 de julho de 1990 (52 anos)
Local da morte: Moscou, União Soviética
Altura: 1,82 m
Apelido: Pelé Russo

Informações
profissionais
Posição:atacante
Clubes profissionais:
Torpedo Moscou 222 jogos (99 gols)
Jogou de: 1953-1958; 1965-1970
Seleção Soviética:
Jogou de: 1955-1958; 1966-1968
Jogou 38 partidas e marcou 25 gols

Eduard Anatolyevich Streltsov - em russo: Эдуард Анатольевич Стрельцов (Moscou, 21 de Julho de 1937 - Moscou, 20 de julho de 1990) - foi um grande jogador da União Soviética conhecido como o "Pelé Russo".

Faz parte dos jogadores que se dedicaram a apenas um clube; no caso dele, o Torpedo Moscou. Pela União Soviética, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1956 e marcou 25 vezes em 38 partidas. Também está entre os grandes jogadores que, infelizmente, não disputaram Copas do Mundo.

Strelstov foi um dos mais carismáticos jogadores da antiga URSS.Era também um mestre do toque de calcanhar, jogada que leva o seu nome na Rússia.


Streltsov debutou no Torpedo Moscou em 1953, tornando-se no ano seguinte o mais jovem a marcar um gol no campeonato soviético, Já em 1955 estreava pela Seleção Soviética de Futebol e no ano seguinte participou da primeira conquista futebolística do país, as Olimpíadas de 1956.

Na recepção oficial no Kremlin aos vencedores na volta à URSS, ele esbanjou seu característico atrevimento ao declarar pessoalmente à Yekaterina Furtseva, Ministra da Cultura, que jamais de casaria com a filha desta.

No ano seguinte, foi artilheiro do campeonato pelo vice-campeão Torpedo.Paralelamente, a URSS, participando pela primeira vez das eliminatórias para uma Copa do Mundo, garantiu sua classificação à de 1958. Ele foi então pressionado pelas autoridades a escolher um dos dois principais times de Moscou (e do país): o CSKA, do Exército Vermelho, ou o Dínamo, da KGB; o Torpedo, vinculado à indústria automobolística, não tinha tanto prestígio junto ao governo.

Streltsov acabou recusando sair do Torpedo, mesmo após Lev Yashin (do Dínamo) ter tentado mudá-lo de idéia. Em maio de 1958, semanas antes do embarque à Suécia, ele seria expulso da equipe que disputaria o mundial e, pior, sentenciado a passar sete anos na prisão, após um processo pouco transparente (como muitos julgamentos no país), com depoimentos contraditórios e imprecisos, além de cogitadas adulterações.





Nem Yashin, o "aranha negra", melhor goleiro do mundo de todos os tempos,
conseguiu persuadir Streltsov de suas convicções firmes.




A seleção conseguiu chegar sem ele à segunda fase da Copa, onde perderiam por 2 a 0 para a anfitriã Suécia - um adversário que naquele mesmo ano chegara a perder de 6 a 0 em uma partida em que Streltsov estava em campo.

PRISÃO E RETOMADA DA CARREIRA

Como justificativa para prendê-lo, uma acusação de estupro jamais totalmente esclarecida, que teria sido armada pelo governo.Streltsov confessou sua autoria no crime sob, acredita-se, a falsa promessa de que isso garantiria sua presença na Copa.

Seus colegas Boris Tatushin e Mikhail Ogonkov, do também pouco apreciado pelas autoridades Spartak Moscou (clube vinculado aos sindicatos e não ao governo), também estiveram na festa onde os três conheceram Marina Lebedeva, a suposta vítima, e foram igualmente presos e impedidos de ir para o torneio.


O Estádio Eduard Streltsov, antigo campo do Torpedo Moscou.


Sua confissão freou o ímpeto de protestos dos trabalhadores da Zil, a fábrica de automóveis ligadas ao Torpedo e naturais torcedores do clube.

O governo tinha outros motivos para não gostar muito dele: Streltsov estaria se transformando em ídolo da juventude soviética com seu jeito jovem e cortes de cabelo "não-convencionais", encarnando uma indesejada rebeldia contra a tirania do regime político [ditatorial] do país.

Além da prisão, ele também foi expurgado por um período, com os jornais e revistas esportivas da União Soviética fingindo que Streltsov sequer existira. Ele foi libertado em 1963 e, com a pressão popular, pôde retomar a carreira no ano seguinte.

Ainda com a habilidade, audácia e clarividência nos gramados bem conservada,embora naturalmente menos veloz (além de calvo),liderou o Torpedo na conquista do Campeonato Soviético de 1965, o segundo da história do clube.

Apesar de ainda ter 29 anos em 1966, não foi chamado para a Copa daquele ano [a União Soviética foi semifinalista]; voltou a atuar brevemente pelo país após o torneio, ainda naquele ano, em que o Torpedo conseguiria o vice-campeonato. Streltsov seria eleito em 1967 e em 1968 - ano em que conquistou a Copa da URSS - o jogador do ano em seu país.Ele encerrou a carreira em 1970.

MORTE

Nunca falou sobre o tempo em que passou na prisão até seu leito de morte, quando declarou sua inocência à esposa. Há rumores de que o governo teria ameaçado matar toda a sua família caso dissesse a verdade sobre seu julgamento.

Streltsov morreu em 1990, na véspera de seu 53º aniversário, de câncer, que muitos acreditam ter sido resultado do cárcere. No mesmo ano, também de câncer, morreria Yashin. Muitos consideravam ambos as superestrelas da seleção soviética daqueles tempos.


Monumento a Streltsov no complexo do Luzhniki, estádio atualmente utilizado pelo Torpedo Moscou.


Após sua morte, o Torpedo o homenageou, renomeando seu antigo campo para Estádio Eduard Streltsov (o clube posteriormente perderia a arena para a Zil, após a empresa desvincular-se do time, e atualmente manda os jogos no Luzhniki). Há pessoas lutando para que as acusações de estupro sejam retiradas postumante, em uma forma de limpar seu nome - dentre elas, o político Yury Luzhkov e o enxadrista Anatoly Karpov, que criaram em 2001 o Comitê Streltsov com vistas a restaurar a reputação do antigo craque perante a justiça russa.



Se Streltsov tivesse ido à Copa de 1958, talvez o resultado final tivesse sido outro.E Pelé poderia ter sido ofuscado.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entrevista com Jarbas Vasconcelos: "O PMDB é Corrupto"


Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes
do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de
José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso


Por Otávio Cabral (Veja)


"A maioria se incorpora a essas coisas pelas quais os governos vêm sendo denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral"
A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação. Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem. Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".


Veja - O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?

Jarbas Vasconcelos - É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Veja - Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.

Jarbas Vasconcelos - Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

Veja - Como o senhor avalia sua atuação no Senado?

Jarbas Vasconcelos - Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.

Veja - O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...

Jarbas Vasconcelos - Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

Veja - O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?

Jarbas Vasconcelos - Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

Veja - Para que o PMDB quer cargos?

Jarbas Vasconcelos - Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

Veja - Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?

Jarbas Vasconcelos - De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o [a eleição para presidente não havia acontecido, e o que o senador previu se concretizou...] PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.

Veja - Por que o senhor continua no PMDB?

Jarbas Vasconcelos - Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.

Veja - Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?

Jarbas Vasconcelos - Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

Veja - O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo [o de Lula] no Congresso?

Jarbas Vasconcelos - Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos.[essa entrevista foi em 2008] O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

Veja - A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.

Jarbas Vasconcelos - O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.


"O marketing de Lula mexe
com o país. Ele optou
pelo assistencialismo,
o que é uma chave para
a popularidade em
um país pobre.
O Bolsa Família é
o maior programa
oficial de compra
de votos do mundo"

Veja - Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.

Jarbas Vasconcelos - O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

Veja - O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?

Jarbas Vasconcelos - Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.

Veja - A oposição está acuada pela popularidade de Lula?

Jarbas Vasconcelos - Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.


"Eu fui oposição ao governo
militar e me lembro de que
Médici era endeusado
no Nordeste. Mas ninguém
desistiu de combater a
ditadura. A popularidade
de Lula não deveria ser
motivo para a extinção
da oposição"

Veja - Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?

Jarbas Vasconcelos - Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.

Veja - Por que há essa banalização dos escândalos?

Jarbas Vasconcelos - O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.

Veja - É possível mudar essa situação?

Jarbas Vasconcelos - É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

Veja - Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?

Jarbas Vasconcelos - A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.
[mutos subestimaram...o honrado senador aqui mais uma vez foi certeiro, mesmo a eleição presidencial sendo dois anos depois]

Veja - O senhor parece estar completamente desiludido com a política.

Jarbas Vasconcelos - Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.

PALAVRAS DO BLOGUEIRO

Porque decido publicar uma entrevista de mais de dois anos atrás? Primeiro para exaltar a antevisão e perspicácia deste senador íntegro e preocupado sinceramente com o país.

Segundo, aqui neste meu humilde espaço, e outros que contribuo, sempre tive um lema quando falo de política: Não jogar todos os políticos na vala comum...aliás isso é feito por 90% dos Blogs e Jornais...Não entendo isso..sinceramente acho que quem é corrupto e preocupado somente com seu bolso deve sim ser criticado, mas àqueles que fazem o bem, são íntegros devem ser exaltados também...até para que, àqueles que me lêem, tenham as referências boas, pois as ruins todos mostram....como um jovem, que queira contribuir com a sociedade, vai entrar na política sem as referências boas? Aqui o Senador Jarbas Vasconcelos é uma destas boas figuras da Política.

Terceiro, esta entrevista é pertinente.

Jarbas Vasconcelos está liderando no senado, junto com Pedro Simon - correligionário íntegro, portanto outra referência política boa - um movimento de oposição ao grupo de Sarney, uma espécie, nas palavras de Dora Kramer, de "rebelião pacífica" dentro do próprio PMDB,com objetivo de disputar eleição para presidente e impedir que José Sarney tenha êxito no plano fazer de Renan Calheiros seu sucessor.Tem aderido a "rebelião" vários novatos, como: Eduardo Braga, (AM) Luiz Henrique (SC), Casildo Maldaner(SC)Roberto Requião(PR) Ricardo Ferraço(ES) Waldemir Moka(MS) e tem conseguido êxito, como diz a ótima articulista Política Dora Kramer:

"A Pressão deles conseguiu fazer com que Renan Calheiros e Romero Jucá fossem à tribuna defender que a presidente Dilma Rousseff vetasse duas emendas em medidas provisórias apresentadas por parlamentares do próprio partido e consideradas indecentes:

Uma dava anistia a dívidas de banqueiros falidos e outra prorrogava,sem licitação, os contratos de lojas e serviços comerciais nos aeroportos.

E por que Renan e Jucá atenderam às exigências, quando normalmente não dariam bola para reclamações? Porque o grupo dos oito recebeu a adesão de outros três e, com isso, formaram maioria de 11 numa bancada à época de 19 (hoje são 20)senadores.Se não aceitassem, poderiam ter dificuldades: por exemplo, perder apoio para se manterem respectivamente como líderes do partido e do governo no senado.

Já ouve também ampliação da interlocução com o governo, até então uma exclusividade da trinca Sarney, Renan e Jucá.A idéia desses senadores é estabelecer um ambiente mais qualificado na bancada do PMDB, a maior do senado, e depois estender o movimento para outros partidos onde há parlamentares igualmente desconfortáveis com a degradação da casa"

Como arrematou a ótima articulista, é um movimento promissor, e que com paciência e poder de convencimento, poderá alterar a correlação de forças que estava em favor do "pacto da mediocridade" liderada por Sarney.Veja como este homem chamado Jarbas Vasconcelos se revesti de importância para pôr fim aos corruptos, coronéis e outros "comandantes do atraso" com que ainda pululam a política Brasileira.

Saiba como fiscalizar os gastos com a verba pública



Notícias de escândalos de corrupção no Brasil não são novidade. O que poucos sabem é que o acesso a informações de gastos com a verba pública está disponível para a população em geral. Diversos sites – inclusive os oficiais – ajudam o eleitor a fiscalizar minuciosamente os orçamentos de cada órgão e acompanhar as ações dos políticos. Com essas ferramentas, fica fácil descobrir quando um deputado federal pagar caro num restaurante e manda a conta para a Câmara.

Veja a lista de sites abaixo:

Amarribo: Atua na promoção da cultura da probidade e na fiscalização de gastos públicos, além de disponibilizar informações para a formação de ONGs fiscalizadoras de prefeituras e câmaras municipais em todo o Brasil.

Às Claras: Projeto da ONG Transparência Brasil que permite saber quem financia quem nas campanhas políticas, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Contas Abertas: Acompanhamento dos gastos públicos de todos os poderes. O portal oferece cursos online gratuitos sobre execução orçamentária e disponibiliza dados das transferências feitas pela União para Estados e municípios.

Controladoria Geral da União: O cidadão pode verificar os relatórios de fiscalizações de municípios e irregularidades sobre a transferência de verbas.

Copa Transparente: Portal criado pelo Senado para fiscalizar a Copa do Mundo de Futebol 2014.

ONG Transparência Brasil: O site carrega o histórico dos governadores e parlamentares brasileiros no Congresso Nacional, assembleias estaduais, câmaras das capitais. Ainda é possível ler matérias sobre corrupção nos jornais.

Portal da Transparência do Senado: Dados e informações detalhados sobre a gestão administrativa e a execução orçamentária e financeira do Senado Federal.

Portal Transparência da Câmara dos Deputados: Portal da Câmara dos Deputados dá a oportunidade aos eleitores fiscalizarem os gastos e atuação de cada parlamentar.

Portal Transparência: Por meio do portal é possível consultar detalhadamente todos oconvênios firmados pelas prefeituras e governos estaduais com a União. A atualização dos dados é diária.

Siga Brasil: Sistema de informações que permite acesso a diversas bases de dados sobre planos e orçamentos públicos federais.

Tribunal de Contas da União: O cidadão tem acesso a todos os cidados nos processos em tramitação na Justiça.

Tribunal Superior Eleitoral: Prestações de contas de todos os candidatos desde as eleições de 2000.

Vote na Web: Possibilita inteiração e opinião dos internautas sobre os projetos de lei que estão sendo votados no Congresso Nacional.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Fracassos da Copa América: de quem é a culpa?



*Por Pedro Pinto é âncora de esportes da CNN International e no Brasil escreve exclusivamente para o Yahoo

Quanto mais alto se é, maior é a queda.Os gigantes da América do Sul, Argentina e Brasil, que venceram, combinados, um total de 22 títulos da Copa América, foram ambos eliminados da competição no fim de semana.

Como isso aconteceu? Muitos fãs têm sido rápidos em apontar seus dedos para as estrelas Lionel Messi da Argentina e Neymar do Brasil.

No entanto, antes que você faça isso, leia os meus argumentos a respeito de por que os treinadores são realmente os culpados.

Vamos começar com os anfitriões, Argentina. Eles iniciaram a competição com duas performances incrivelmente pobres no Grupo A, um empate 1-1 com a Bolívia e um empate 0-0 com a Colômbia. O treinador Sergio Batista teve de arcar com uma enorma carga de culpa. Por quê?

Bem, ele insistiu em deixar jogadores como Angel Di María, Sergio Aguero, Higuain e Javier Pastore no banco, quando todos eles terminaram a temporada em alta. Seus substitutos, Ezequiel Lavezzi, Carlos Tevez, Ever Banega e Esteban Cambiasso não conseguiram brilhar.

Eventualmente, após a pressão dos torcedores do país e da mídia, Batista fez algumas mudanças a tempo para vencer confortavelmente contra a Costa Rica, que garantiu lugar nas quartas de final.

Mas nem tudo estava bem. Mesmo garantindo um lugar na próxima rodada, ao não encontrar seu melhor XI logo no início da competição, o treinador perdeu a chance de solidificar seu lado e eles perderam humildemente nos pênaltis para o Uruguai, apesar de La Celeste ter sido reduzida a 10 homens aos 38 minutos.

Você pode pensar "Ah, é fácil culpar o técnico quando as coisas dão errado". Mas acredite em mim, Batista tem que assumir a culpa por não conseguir encontrar não só os melhores jogadores, mas o melhor sistema para beneficiar o melhor jogador do planeta: Messi.

Agora, eu tenho dito isso há anos e vou dizer outra vez. Messi marca uma quantidade astronômica de gols pelo Barcelona graças a um homem: Xavi.

Ele é o homem puxando as cordas e permitindo ao fenômeno argentino pegar a bola nas áreas do campo onde ele pode fazer o maior dano possível. A Argentina não tem ninguém como Xavi, então, obviamente, não haveria maneira de o Messi marcar tantas vezes quanto ele faz pelo Barça.

No entanto, até agora, os técnicos argentinos deveriam ter encontrado um sistema que permitiria o atual jogador mundial do ano se destacar.

Em nove jogos pela Argentina na Copa do Mundo no ano passado e na Copa América deste ano, quantos gols Messi marcou? Zero. Estranho, mas verdadeiro.

Agora, por mais que você diga que ele jogou mal pelo seu país, eu não concordo. Ele tenta tão duro como faz pelo Barcelona, e é tão influente quanto.

O problema é que ele não marca, e isso acontece porque ele tem que constantemente buscar a bola e nunca a recebe em uma posição onde ele pode alcançar o fundo da rede.

Contra o Uruguai, Batista tinha Aguero, Di Maria e Higuain na frente. Messi deveria estar no buraco com dois volantes atrás dele. Agora, foi esse o cenário ideal para que ele se destacasse? Não.

Leo deveria sempre fazer parte dos três da frente, com alguém lhe passando a bola. Alguém como Pastore, alguém como Banega, alguém que seja criativo.

Por mais que eu respeite Javier Mascherano e Javier Zanetti, eles não são armadores e não têm a habilidade ou talento para construir jogadas. Eles são destruidores em primeiro lugar, e não podem cumprir esse papel.

Após a derrota nos pênaltis para o Uruguai, Batista disse: "Eu não diria que foi um desastre." Ele está errado. Foi um desastre e ele será demitido em breve. Acredite em mim.

Enfim, agora falando do Brasil. A Seleção ganhou os dois últimos títulos da Copa América, em 2004 e 2007. Com a próxima Copa do Mundo sendo realizada em sua casa, o técnico Mano Menezes está trabalhando com a compreensão que ele DEVE construir um time que possa vencer a competição de 2014. Seu primeiro teste foi o torneio na Argentina, e eu tenho que dizer que ele falhou nesse teste.

Agora, eu não sou ingênuo o suficiente para esperar que o Brasil jogue com o talento e habilidade de outrora. O Futebol Bonito morreu, e é mais importante ganhar do que entreter.

No entanto, o que eu não posso aceitar é o Brasil jogando em um sistema com dois volantes, com todo o talento que têm no meio-campo. Eles fizeram isso na Copa do Mundo, com Felipe Melo e Gilberto Silva, e eles fizeram isso novamente na Copa América, com Lucas Leiva e Ramires. Se Dunga, o treinador passado, foi demitido porque seu tipo de futebol era defensivo e previsível, então como pode Mano seguir seus passos?

Muito foi escrito e dito sobre Neymar, a estrela adolescente, antes deste evento. Não há dúvidas em minha mente, ele é incrivelmente talentoso, mas esperar que ele seja o cara que vai conseguir a taça para você não é justo. Ele não é tão bom assim, e ainda não alcançou todo o seu potencial.

Além disso, pedir a outro jovem, Ganso, que organize o ataque do time quando ele acaba de voltar de uma lesão grave e ainda não atingiu o pico de sua forma física é simplesmente idiota.

Agora, esta Copa América será uma grande lição para Mano Menezes acordar. A primeira coisa que ele precisa fazer é encontrar jogadores de meio-campo melhores. Lucas, Sandro, Elias e Ramires não são bons o suficiente.

Eles podem trabalhar duro, eles podem ser disciplinados, mas você não pode escolher dois desses caras no seu XI incial e esperar vencer as melhores equipes do planeta.

E o Hernanes, da Lazio? Que tal alguns dos garotos que acabaram de vencer o Campeonato Sul-Americano Sub-17? Mano precisa encontrar respostas. Caso contrário, ele se verá sem trabalho antes da próxima Copa do Mundo, daqui a três anos.

*Pedro Pinto é âncora de esportes da CNN International e no Brasil escreve exclusivamente para o Yahoo

terça-feira, 19 de julho de 2011

Será o fim de Rupert Murdoch?

Ricken Patel - Avaaz.org para mim

Caros amigos,

Durante décadas, Murdoch tem tido um reinado impune, criando e destruindo governos através de seu vasto império midiático. Mas nós estamos fazendo frente a esse império e ganhando! Tivemos um papel crucial para impedir que Murdoch obtivesse o controle da mídia britânica. Agora estamos transformando nossa acalorada campanha britânica em uma campanha global, para reverter a ameaça de Murdoch em todos os demais países, com campanhas, investigações e medidas legais. Clique aqui para fazer sua doação:


Grampo ilegal de telefones de crianças vítimas de homicídio, suborno de policiais, destruição de provas de crimes, ameaças a políticos... As lideranças do Reino Unido dizem que o império de Rupert Murdoch “ingressou no submundo do crime”. Durante décadas, Murdoch tem tido um reinado impune, criando e destruindo governos através de seu vasto patrimônio midiático e forçando seus adversários ao silêncio, mas nós estamos fazendo frente a isso tudo e ganhando!

Através de quase 1 milhão de ações, 7 campanhas, 30.000 ligações telefônicas, investigações e inúmeras manobras e táticas jurídicas, tivemos um papel de destaque e conseguimos impedir que Murdoch comprasse mais de 50% da mídia comercial britânica! Agora estamos transformando nossa acalorada campanha britânica em uma campanha global, para reverter a ameaça de Murdoch em todos os demais países.

Este é nosso plano: juntos, podemos a) contratar investigadores para expor as táticas corruptas de Murdoch também fora do Reino Unido, b) organizar personalidades para romper o ciclo de medo e dar seu depoimento sobre essa questão e c) mobilizar pessoas em países de destaque em defesa de novas leis e medidas legais que bloqueiem as atividades de Murdoch e limpem a credibilidade dos meios de comunicação de uma vez por todas.

A Avaaz tem membros em todos os países em que Murdoch opera, e isso faz de nosso movimento o único capaz de promover e ganhar uma campanha de fato contra esse império global. A hora é esta! Se apenas 20.000 participantes da campanha doarem cada um uma pequena quantia, poderemos agarrar essa raríssima chance. Clique no link abaixo para dar sua colaboração:

https://secure.avaaz.org/po/stop_rupert_murdoch_donate/?vl

Durante semanas, revelações em ritmo quase diário têm desvendado a amplitude das atividades corruptas de Murdoch na mídia britânica. Os espiões do magnata grampearam ilegalmente os telefones de milhares de pessoas, inclusive de viúvas em luto e soldados que haviam morrido no Iraque, roubaram as informações bancárias de um primeiro-ministro, hostilizando-o durante 10 anos, e pagaram enormes quantias de dinheiro a policiais. O filho de Rupert, James Murdoch, autorizou em pessoa o pagamento de suborno para que as vítimas se calassem.

Mas essa é apenas a ponta do iceberg: Murdoch é um problema global. Ele é famoso por ditar posicionamentos editoriais em seus jornais. Ele corrompe e controla democracias, forçando políticos a apoiar as ideias extremistas que ele tem em matéria de guerra, tortura, negacionismo climático e diversos outros males planetários e destruindo as carreiras de políticos com campanhas de difamação a menos que suas ordens sejam seguidas. Nos Estados Unidos, ele ajudou a eleger George W. Bush e mantém em sua folha de pagamentos a maioria dos presidenciáveis republicanos. A rede Fox News Network, que é parte do império de Murdoch, espalhou notícias para promover a guerra no Iraque, estimulou ressentimento contra muçulmanos e imigrantes e criou o movimento populista de direita. E o pior de tudo, talvez, é que ele ajudou a bloquear cruciais medidas globais contra as mudanças climáticas.

O reinado de medo de Murdoch está se desmoronando e muitas pessoas estão se animando a dar depoimentos contra as táticas do magnata. A represa está prestes a se romper nos EUA, Austrália e outros países, mas precisamos dar um empurrão urgente, investigando mais as atividades de Murdoch, organizando uma oposição de destaque e fazendo com que nossos políticos aprovem leis que limpem a credibilidade de nossos meios de comunicação de uma vez por todas. Vamos nos unir para que isso se torne realidade:

https://secure.avaaz.org/po/stop_rupert_murdoch_donate/?vl

Nossa comunidade continuou fazendo campanha contra Murdoch mesmo quando quase todos no Reino Unido já haviam abandonado a esperança. Por sermos um movimento popular, não temos o medo que quase todos têm de Murdoch. Isto porque a força popular traz consigo o potencial de transformação do mundo. Hoje, a esperança está brotando no Reino Unido. Vamos fazer com que isso aconteça em também em nível global.

Com determinação,

Ricken, Emma, Maria Paz, Giulia, Luis, Alice, Brianna e o resto da equipe da Avaaz