segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MULTIDÃO NO ROCK IN RIO 'HOMENAGEA' SARNEY EMBALADOS POR DINHO OURO PRETO



Uma semana após ter o filho, Fernando Sarney, beneficiado por decisão judicial em processo que apura corrupção, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi alvo de críticas no maior evento musical do ano no Brasil, o Rock in Rio. A banda Capital Inicial dedicou a música “Que País É Esse” especialmente a Sarney durante críticas a “oligarquias que parecem ainda governar o Brasil” e a políticos.

“(Oligarquias) que conseguem deixar os grandes jornais brasileiros censurados durante dois anos, como O Estado de S. Paulo, cara. Coisas inacreditáveis”, disse o cantor da banda, Dinho Ouro Preto, ao anunciar a música. “Essa aqui é para o Congresso brasileiro, essa aqui, especial para José Sarney”, nominou o cantor, perante um público estimado em 100 mil pessoas.

Texto do Blog Marrapá

Veja em vídeo:






sábado, 24 de setembro de 2011

REMO É NOTÍCIA NACIONAL POR RELAÇÕES FINANCEIRAS COM RICARDO TEIXEIRA VIA CORONEL NUNES

DEVENDO R$ 400 MIL à CBF, REMO PREPARA HOMENAGEM A RICARDO TEIXEIRA

Por Bruno Bonsanti*


Na contramão das denúncias de corrupção, manifestações populares e protestos de torcidas organizadas, o Remo-PA planeja uma homenagem ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, na segunda partida do Superclássico das Américas, entre a Seleção Brasileira e a Argentina, no estádio Mangueirão, na próxima quarta-feira.

O presidente do clube, Sérgio Cabeça, argumenta que Teixeira sempre ajuda o futebol da região. Isso é verdade. Na gestão de Amaro Klautau, anterior à atual, a CBF emprestou R$ 400 mil ao Remo, que cedeu o dinheiro dos direitos televisivos do Campeonato Paraense como garantia, mas nunca pagou a dívida.

"Ele é uma pessoa que tem, não só pelo Pará, mas pelo futebol do Brasil, feito bastante coisa boa. O Brasil já ganhou títulos com ele à frente da CBF. Vamos fazer uma homenagem a ele por tudo que tem feito pelo esporte na região", explicou Cabeça à reportagem da GE.Net. Teixeira está desde 1989 à frente da entidade. Nesse período, a Seleção ganhou as Copas do Mundo de 1994 e 2002.


Sergio Barzaghi

Desde 1989 na CBF, Ricardo Teixeira está garantido até 2014 por causa da Copa do Mundo do Brasil


Avalista do empréstimo, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antonio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, conta que o pedido foi inicialmente de R$ 1 milhão, mas apenas a primeira parcela foi liberada. A homenagem tem o objetivo de manter o Remo nas boas graças da Confederação. "É para mostrar o lado bom do Clube do Remo. A diretoria atual não tem culpa do que a outra não cumpriu. A CBF ajudou e não cobrou nada, nem juros, não mandou bloquear nada. É na esperança futura de que a CBF continue dando atenção ao Remo", reforçou.





Sérgio Cabeça, atual presidente do Remo, fará homenagem à Ricardo Teixeira no superclássico das Américas, em retribuição a empréstimo de 400 mil feito na gestão do polêmico ex-presidente Amaro Klautau.


Cabeça não se preocupa em ficar queimado com a torcida. Este ano, houve manifestações populares nas ruas de capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre contra Teixeira, além de uma revolta coletiva da Confederação Nacional das Torcidas Organizadas na última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Um grupo de insatisfeitos anônimos criou o site FORA Ricardo Teixeira e organizou uma onda de mensagens no Twitter, conseguindo levar frases como "Fora Ricardo Teixeira" aos tópicos mais comentados do mundo. "Estamos em um regime democrático e podemos externar o que pensamos. Eles pensam desta maneira e estão exercendo a democracia", ponderou o dirigente do Remo.

Embora também analise fazer a sua própria homenagem, o presidente do Paysandu, Luiz Omar Pinheiro, não está tão satisfeito com as boas ações de Teixeira. Ele é mais um a pleitear ajuda financeira junto à CBF e reclama que a entidade com lucro de R$ 83 milhões em 2010 precisaria investir apenas R$ 5 milhões para financiar toda a Série C do Campeonato Brasileiro.




Luis Omar Pinheiro, presidente do Paysandu, questiona o fato de a CBF ter Lucros exorbitantes, e relegar clubes tradicionais que estão na série C e D ao abandono.

"Estamos aqui, no Norte, 'fumados', a pão e água. Gastamos R$ 60 mil para jogar em Rio Branco-AC. Não recebemos nem uma bola. Ninguém ajuda. Com passagens aéreas e hospedagens, a Série C não custa nem R$ 5 milhões e dizem que não têm dinheiro para ajudar. Isso é desumanidade. O futebol forte não pode ser só o das Séries A e B. As Federações e a CBF deveriam olhar com mais carinho para a C", declarou.

O presidente ainda dirigiu as suas críticas aos clubes da primeira divisão, como Corinthians e Flamengo, e ao mandatário do Clube dos 13, Fábio Koff. Além disso, reclamou bastante da imprensa. "Estão matando a gente e os jornalistas também. O segmento esportivo tem culpa da atual situação do Brasil. As grandes emissoras de televisão não dão nem resultado das Séries C e D. Preferem passar o Big Brother caindo de paraquedas em Copacabana a um gol da Série C. Esquecem que tem clubes que estão nessa situação, mas são importantes para a sua região", disparou Omar Pinheiro.
Coronel Nunes não gostou de ser envolvido nas reclamações do seu colega, pois garante que a Federação faz de tudo para ajudar seus filiados. Torcedor do Paysandu, ele não cobra nenhum clube por trabalhos burocráticos, como registro de jogadores. "O cara dizer que é desamparado pela Federação? À p... que o pariu! Deve ter sido força de expressão. Eu não tenho patrocínio de nada, a Federação é pobre. Vou amparar ele em quê?", indagou.

Saiba como Ricardo Teixeira angaria votos para se perpetuar no poder
Os presidentes dos clubes elegem mandatários de Federações locais, que votam no presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Desde 1989 no poder, Ricardo Teixeira utiliza diversas práticas para manter seus eleitores felizes e garantir múltiplas reeleições. Veja oito delas:

Empréstimo aos clubes - O Paysandu não foi o único e nem o primeiro a ser ajudado financeiramente pela CBF. Embora negue que haja relação, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, recebeu, em 2010, R$ 8 milhões de adiantamento de futuras cotas de televisão - na mesma época em que mudou de lado na votação para presidente do Clube dos 13 e passou a apoiar Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira.

Lobby político - Apesar de ter passado por duas Comissões de Inquérito Parlamentar (CPIs) no começo da década, Ricardo Teixeira tem influência em Brasília. O deputado Anthony Garotinho tentou instaurar outra CPI neste ano e conseguiu 117 das 171 assinaturas necessárias. Após uma visita do presidente da CBF à Câmara dos Deputados, a Comissão foi esvaziada e o ex-governador do Rio de Janeiro desistiu. Ele também mantinha uma boa relação com o ex-chefe da República, Luis Inácio Lula da Silva.
Pressão na Rede Globo - Sabedor da influência da Rede Globo, Teixeira mantém uma relação de troca de favores. Em recente entrevista à revista Piauí, ele disse que só ficaria preocupado com as denúncias de corrupção da emissora britânica BBC se elas repercutissem no Jornal Nacional.

Em 2001, durante a CPI da Nike, ele ficou descontente com uma matéria do Globo Repórter e transferiu um clássico entre Brasil e Argentina para as 19h45, impossibilitando a transmissão da emissora carioca. Neste ano, a Globo veiculou uma matéria apontando irregularidades na organização do amistoso contra Portugal, em 2008. Pouco depois, os jogos das 18h30 do Campeonato Brasileiro foram adiantados em meia hora, começando antes do término da rodada da segunda divisão aos sábados. O canal fechado da emissora, o SporTV, costumava transmitir os dois torneios. A mudança de horário também alterou a programação em pay-per-view.

Adiamento de jogos - Como o Campeonato Brasileiro não é paralisado durante datas Fifa para jogos de seleções, alguns clubes acabam prejudicados quando seus jogadores são convocados. Para manter seus aliados contentes, Ricardo Teixeira aprova o adiamento de partidas. O Santos disputaria rodadas da competição deste ano sem Neymar e Paulo Henrique Ganso, por exemplo, e quatro duelos foram postergados: contra América-MG, Fluminense, Grêmio e Botafogo. O clássico com o Corinthians mudou de dia por causa da final da Copa Libertadores da América.

Seleção Brasileira - O sucesso esportivo, como as duas Copas do Mundo conquistadas, em 1994 e 2002, também ajuda o presidente a se manter no poder. Além disso, levar a Seleção Brasileira para jogar em estádios modestos, como em Campo Grande (2009) ou em Gama (2008), agrada às Federações locais.

Represália a opositores - Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, é um de seus rivais. Na eleição do Clube dos 13, o são-paulino apoiou a reeleição de Fábio Koff, contra o candidato de Teixeira, Kléber Leite. No dia seguinte, surgiram as primeiras informações de que o Estádio do Morumbi não abrigaria jogos da Copa do Mundo de 2014. O também presidente do Comitê Organizador Local (COL) confirmou o veto, em junho de 2010, no site da CBF.

Reconhecimento de títulos - Santos, Cruzeiro e Botafogo votaram no candidato da CBF na eleição do Clube dos 13, em 2010. No final daquele ano, foram presenteados com o reconhecimento da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa como títulos do Campeonato Brasileiro. Os clubes mineiro e carioca ganharam uma conquista, enquanto o paulista foi de dois troféus para oito. No começo do ano, a entidade resolveu oficializar o Flamengo como campeão de 1987, mas voltou atrás depois devido à decisão judicial.

Inchaço de campeonatos - Como depende dos votos dos presidentes das Federações estaduais para se reeleger, Teixeira atribui poder quando aumenta a importância e o tamanho dos Campeonatos Estaduais. Além disso, infla a Copa do Brasil com clubes menores - prática parecida à do partido da ditadura, a Arena, que cedia lugares no Campeonato Brasileiro a times de regiões onde não tinha muitos votos. O torneio nacional chegou a ter 94 participantes em 1979.


* Bruno Bonsanti, especial para a GE.Net São Paulo (SP)


Levi Bianco/News Free/Gazeta Press

Cerca de 400 pessoas foram ao vão do Masp, em São Paulo, para protestar. Aconteceu o mesmo em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, inclusive no sorteio do grupo das Eliminatórias da Copa de 2014

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Governador do Pará, Simão Jatene, toma Providências rápidas contra mortes e cobra eficácia de comissão do Senado



"Não temos compromisso com erro e impunidade", afirma Jatene

“Não temos compromisso com o erro e nem com a impunidade”, voltou a afirmar o governador Simão Jatene ao conversar com a imprensa nesta quinta-feira (22), sobre o caso da adolescente de 14 anos que teria sido abusada por detentos dentro da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, em Santa Izabel do Pará, Região Metropolitana de Belém. A conversa aconteceu na Estação das Docas, antes do chefe do Executivo se reunir com a Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Simão Jatene mais uma vez lamentou o ocorrido e fez questão de acrescentar que o Estado em nenhum momento se omitiu de sua responsabilidade no episódio. “Desde o momento em que tomamos conhecimento dos fatos começamos a dar uma resposta ao que aconteceu, responsabilizando as pessoas que podem ter contribuído para que isso tenha chegado a esse ponto, exonerando-as dos cargos que ocupavam e pedindo o apoio da Secretaria de Estado de Administração (Sead) e Procuradoria Geral do Estado (PGE) para saber quais tipos de procedimentos precisam ser tomados”, explicou.

Jatene lembrou ainda que, desde o início da atual gestão, o Estado vem dando respostas rápidas. "Prova disso é que já estão presos o mandante e os dois responsáveis pela morte do casal de ambientalistas de Nova Ipixuna. Da mesma forma nossa polícia agiu rapidamente ao desvendar a morte brutal ocorrida em um motel da cidade. E esses são apenas dois casos em que demonstramos que o Estado está alerta", afirmou.

“É importante também que se diga que eu agradeço às pessoas que tornaram o fato público, porque dessa forma, com uma atitude coletiva, a sociedade tende a se tornar cada vez melhor”, reiterou. Sobre a presença da comissão do Senado em Belém, Jatene afirmou que espera que a presença dos representantes leve a algum avanço na melhoria das condições do sistema penal.

“O que a gente vê normalmente é que essas comissões vêm aqui e o que fazem depois que voltam para Brasília? Temos algum aumento de recursos para a saúde ou para a educação ou para a segurança? É preciso que essas comissões saiam daqui com o compromisso de apoiar o governo estadual na missão de melhorar as condições do sistema”, asseverou o governador.

Segundo Simão Jatene, a expectativa do governo estadual é que, ao voltarem para Brasília, os representantes do Senado não deixem esse fato cair no esquecimento e que “a partir daí lutem na República para rediscutir o sistema penal brasileiro, que hoje todos sabemos que está falido. Que eles também lutem pelo financiamento da saúde e por um melhor sistema de educação”

A IMPORTÂNCIA DO MARKETING POLÍTICO NAS ELEIÇÕES (POR CHICO SANTA RITA)






Chico Santa Rita*

Em todo o mundo civilizado não se concebe mais uma campanha eleitoral sem a assessoria de profissionais do Marketing Político.

No Brasil já caminhamos para essa posição, apesar da atividade ainda não ser completamente entendida e utilizada de modo a se tirar dela o melhor proveito. É bem verdade que aqui também padecemos da falta de formação técnica para quem trabalha na área e isso enseja que muitos “curiosos” se arvorem em “entendidos”. Ainda não contamos com cursos de formação básica, mas apenas com boas experiências de pós-graduação, mais teóricas do que práticas.

Entre os políticos também há muita desinformação. Ora se entende que esse trabalho é capaz de realizar milagres; ora se desdenha da sua eficácia. Nem lá, nem cá. Minha experiência contada em dois livros já editados (o terceiro a caminho) mostra uma realidade a ser melhorada.

Ao ser consultado sobre um trabalho, a primeira pergunta que tenho recebido, em geral, é sobre a expectativa financeira: quanto vai custar a campanha? Costumo responder com outra pergunta: qual campanha?

E explico que o correto é se definir primeiro o trabalho que será feito, para depois poder quantificá-lo. Qual linha estratégica usaremos? Como será o desenvolvimentoprevisto? Quais equipamentos e quantos profissionais serão necessários? Essas e mais uma dezena de questões básicas precisam ser respondidas previamente. O Marketing Político praticado corretamente não é fator de encarecimento da campanha. Pelo contrário, tem que ser o elemento que utilize as ferramentas adequadas, dentro de um custo programado, possível.

Na campanha do “Não” no referendo sobre a venda de armas, estruturei uma campanha com recursos extremamente limitados, enfrentando uma poderosa máquina midiática. O bom resultado veio no bojo do acerto naquilo que considero o coração e a alma de uma campanha: a estratégia corretamente definida e utilizada. É nesse ponto que o Marketing Político mostra a sua força.

A campanha eleitoral não pode se tornar errática, com tentativas de acerto/erro como temos visto até em campanhas presidenciais. Tem que partir de um estudo aprofundado do momento eleitoral, de uma estruturação correta, de um desenvolvimento competente e de um acompanhamento atento, capaz de antever facilidades ou problemas de percurso, para acelerar ou frear nos momentos adequados.

Quem faz isso é o candidato? Não. É isso o que o Marketing Político faz. O candidato vai pra rua, para os encontros, para o corpo a corpo, para as atividades que ninguém pode fazer por ele. É esse entendimento que muitas vezes falta nas campanhas eleitorais, com a presença do político faz-tudo e sabe-tudo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista “Politicom” (julho/2010), que circula principalmente nas Universidades que trabalham com o tema, revela a sua experiência:

“Nós temos profissionais altamente qualificados para trabalhar no marketing político (...) não tenho dúvidas que eles são preparados (...) os políticos não acompanham o ritmo dos profissionais do marketing, são mais atrasados.”

Sem tirar a razão do ex-presidente, ouso acrescentar que essa situação existe, mas está em mutação, com o conhecimento e o entendimento, cada vez maior, da importância do Marketing Político feito com seriedade.


*Chico Santa Rita é Consultor em Marketing Político com mais de 120 campanhas realizadas. Nas últimas eleições municipais dirigiu 5 campanhas, todas vitoriosas. www.chicosantarita.com.br
** Artigo publicado na Revista Congresso Nacional, Ano 1, no. 06, Julho 2011.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

CARÊNCIAS MARAJOARAS



Por Franssinete Florenzano

Numa região onde o deslocamento é feito quase que exclusivamente por meio dos rios, o Marajó é um desafio à capacidade de o poder público agir de forma integrada, otimizando recursos humanos e financeiros. Em vez de cada órgão de governo buscar soluções separadamente, a parceria entre instituições pode dar eficiência às políticas públicas no arquipélago, além de proporcionar economia aos cofres públicos.

A proposta foi recorrente durante as palestras dos membros do grupo gestor do Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável para o Arquipélago do Marajó. Um dos exemplos, dado pelo comandante regional da PM, José Osmar Rocha Neto, é na área do transporte. Em vez de cada órgão das áreas de segurança, saúde, educação, pesca, meio ambiente, assistência técnica rural e de outros setores, como a Marinha, terem que se esforçar isoladamente para adquirir e manter embarcações para o transporte fluvial de suas equipes de trabalho, poderiam compartilhar equipamentos, o que permitiria resposta imediata a uma série de demandas socioambientais da região.

Outra integração importante é a de informações, observa o pesquisador João Meirelles Filho, diretor do Instituto Peabiru e um dos coordenadores do Programa Viva Marajó. “Instituições de pesquisa e de monitoramento de informações como o IBGE, o Inpa, o Sivam, o Sipam, universidades e órgãos como o Incra e o ICMBio têm que juntar suas experiências e conhecimentos para gerar e monitorar dados sobre a região”, sugere, apontando que uma das maiores dificuldades enfrentadas ao fazer um diagnóstico da região é justamente encontrar dados socioeconômicos sobre do arquipélago.

Um dos representantes da sociedade marajoara no comitê e integrante da Coordenação de Desenvolvimento do Território do Marajó, Assunção Novaes, o Cacau, reivindica integração da sociedade na definição e execução de políticas públicas, como, por exemplo, a instalação do linhão de energia elétrica. A população não tem respostas sobre o destino da madeira extraída para a implementação do projeto. “Havia um acordo com a secretaria estadual de Meio Ambiente para que essa madeira fosse utilizada nos municípios, mas ninguém sabe para onde esse material foi”, criticou.

A falta de informações sobre o projeto do linhão também foi alvo de questionamentos pelo Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Alan Rogério Mansur Silva, que disse ter sentido falta da apresentação de dados sobre a atuação governamental nas áreas da saúde e educação e de informações mais concretas sobre programas como a Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras.

Mesmo já tendo resposta do Banco do Brasil, que se comprometeu a instalar 5 agências no arquipélago ainda este ano, Alan Mansur vai reunir com representantes da Casa Civil da Presidência da República e pedir apoio para cobrar mais agências na região.

O representante do MPF-PA discutirá com a Setran medidas que o governo estadual pode tomar para agilizar a instalação de pistas de pouso no arquipélago. “O MPF vai continuar acompanhando de perto a execução do plano de desenvolvimento do Marajó. Queremos que essas medidas realmente se concretizem, e que não venham a se tornar meros cosméticos para mascarar a realidade da região”, enfatizou o procurador da República

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

índios Caiapós tomam a BR-163


Índios Caiapós tomam a BR-163 - 16/09/2011

Local: Belém - PA
Fonte: Diário do Pará
Link: http://www.diariodopara.com.br/

Revoltados com as promessas não cumpridas pelo ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, demitido pela presidente Dilma Rousseff por suspeitas de irregularidades no órgão, os índios caiapós decidiram radicalizar um protesto que começou na segunda-feira com a apreensão de caminhões e máquinas que trabalham na pavimentação de vários trechos da BR-163 (Santarém-Cuiabá). Ontem, os índios resolveram atear fogo em trechos da ponte localizada sobre o rio Disparada, próximo da cidade de Novo Progresso.

Foto: DIGITAL NOTICIAS


Os índios afirmam que só deixarão a estrada quando autoridades federais forem à região para tratar das promessas feitas por Pagot, que antes de cair esteve com os índios garantindo que, além de melhorias nos acessos às estradas que levam às aldeias Baú e Mekranotire, os caiapós receberiam benefícios nas área de saúde. Nada disso foi feito até agora. “Se o homem branco não tem memória e esquece facilmente as promessas que ouve das autoridades, os índios têm a memória muito boa para cobrar as coisas que são ditas e prometidas”, disse o índio João Mekranotire.

A prefeita de Novo Progresso, Madalena Hoffmann, esteve reunida com a diretoria-geral do Dnit em busca de uma solução para o problema. Pagot disse para os índios que os ramais de acesso à área Mekranotire receberiam cuidados do órgão, que também concluiria os ramais até a aldeia Baú. A estrada vicinal que leva à aldeia está em péssimas condições. Ela começa às margens do rio Curuá e desemboca na BR-163, próximo ao distrito de Alvorada da Amazônia.

Para os caiapós, a presença do diretor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e do secretário de saúde indígena, Antonio Alves, para tratar de questões ligadas à saúde dos índios, evitaria tantos transtornos. Hoje, para buscar atendimento médico, os caiapós precisam se deslocar até Itaituba, num percurso de mais de 400 quilômetros. O problema também atinge os índios das aldeias Pukanu, Baú Pungraity e Kawatum.

Na segunda-feira, centenas de caiapós, armados com flechas, espingardas e revólveres atacaram os operadores de máquina, tomando as chaves dos veículos das mãos dos homens que trabalhavam no asfaltamento da rodovia, paralisando totalmente a obra. Eles enviaram uma carta à direção do Dnit reivindicando construção da casa da saúde, casa do artesanato, casa cultural e a compra de dois veículos. E avisaram: se nada for feito, começarão a incendiar as máquinas. (Diário do Pará)

MEDO

Ao longo do dia de ontem, a tensão só aumentou na região. Empregados das empresas que trabalham na pavimentação da Santarém- Cuiabá afirmam que os índios prometeram incendiar, a partir de hoje, também os canteiros das empreiteiras. Cerca de 3,6 mil trabalhadores estão na área atuando nas obras que são realizadas por nove empresas.

O Dnit prometeu enviar uma equipe ao local, para negociar com os índios, mas a viagem deve ocorrer apenas na próxima quarta-feira. “Estamos desesperados. Não sabemos mais a quem apelar. Nosso medo é de que os índios não tenham paciência para aguardar a equipe do Dnit”, desabafa Michel Souza, supervisor de obras da JM Terraplanagem, que está entre as empresas que atuam no local.

Souza contou que os trabalhadores já procuraram a Polícia Federal e o Dnit em Belém, mas os dois órgãos estariam aguardando decisões de Brasília para agir.

Segundo informações dos operários que atuam na rodovia, os índios já incendiaram três pontes que ficam no trecho entre Novo Progresso e Itaituba. “Nossa maior preocupação é com as pessoas que estão na área e não têm como sair”, disse Michel.