sexta-feira, 14 de março de 2014

ANATOMIA DA CRISE NA UCRÂNIA COM PROPOSTAS PARA EVITAR A GUERRA

                                 


Anatomia da crise Ucraniana: entender as causas, propor soluções [1] 


                             O professor e pesquisador Fabiano Mielniczuk analisa a crise na Ucrânia. Fabiano é Doutor em Relações Internacionais pelo IRI/PUC-Rio, Diretor da Audiplo: Educação e Relações Internacionais, professor da Uniritter (Porto Alegre) e pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Potências Médias (GPPM).


A situação da Ucrânia é séria. Muitos falam do risco de uma guerra civil que leve à divisão do país entre as áreas ocidentais e a parte leste, habitada por russos. Esse risco agora é mais iminente, com a ocupação da Criméia por grupos paramilitares pró-Russia e a realização de um plebiscito para que a população decida se a região deseja ser anexada pela Rússia ou não.

Os analistas que apóiam a aproximação da Ucrânia à UE afirmam que o pano de fundo para os protestos que levaram ao Golpe que derrubou Yanukovich foi a situação econômica do país. Com uma mentalidade dos anos 1990, reiteram que a única alternativa à Ucrânia seria a de aprofundar os laços econômicos com a UE, liberalizando (ou melhor, modernizando, no discurso oficial) sua economia e promovendo maior interdependência com a Europa como forma de fugir das chantagens econômicas russas. Entretanto, após o colapso econômico de 2009, quando a economia recuou 19% em razão da crise mundial de 2008, a Ucrânia tem tido níveis de crescimento compatíveis com os dos demais países europeus. Por outro lado, parece pouco provável que depois do vergonhoso resultado eleitoral de 2010, no qual o candidato à reeleição e líder da Revolução Laranja, o pró-ocidental Victor Yushenko, obteve aprox. 5% de votos no primeiro turno, a população da Ucrânia fosse optar por uma ruptura institucional violenta que colocasse no poder líderes que vêem o FMI como salvação para a economia do país (o mesmo FMI que rompeu um acordo de empréstimo de 15 bilhões de dólares com a Ucrânia, em 2010, após Yushenko aumentar o salário e as pensões dos ucranianos).

Parece que as causas para a crise ucraniana são mais complexas. Deve-se considerar, pelo menos, três fatores.  Em primeiro lugar, a incapacidade do governo Yanukovich de resolver os problemas de transição para uma economia capitalista que o país enfrenta desde sua independência, em 1991, e que foi agravado pelas promessas de ganhos econômicos não cumpridas do período pós-revolução laranja de 2004. A falta de transparência na gestão do país e um ambiente corrupto para os negócios também entram nesse cenário de problemas não resolvidos. A segunda causa diz respeito à uma tendência em toda a Europa, a ascensão de movimentos nacionalistas, com feições nazi-fascistas. Na Ucrânia essa tendência se materializou no partido Svoboda, que alcançou em torno de 10% do apoio da população nas últimas eleições parlamentares. Com um discurso baseado na xenofobia e na pureza nacional, contra russos e contra judeus, os adeptos desse partido fizeram parte de uma facção chamada “setor de direita”, que esteve na vanguarda violenta dos movimentos na praça Euromaiden. Por último, deve-se ressaltar o papel da UE, que estimulou a população da Ucrânia a tomar as ruas após o fracasso das negociações de adesão do país a um acordo de livre-comércio com a Europa. Essa postura de ingerência externa da UE nos assuntos ucranianos, explícitos nas inúmeras declarações de Durão Barroso, acendeu o pavio para a explosão de uma bomba.

EUA e UE x Rússia, e a Ucrânia no meio…

Depois de ter acendido o pavio, a UE foi ingênua (ou cínica) ao negociar com opositores que não tinham legitimidade frente aos extremistas. Durante as manifestações, a extrema direita tomou conta da situação e passou a expulsar manifestantes pacíficos dos prédios ocupados. A facção chamada “setor de direita” foi fundamental para isso. Existem, inclusive, laços dos nacionalistas ucranianos com grupos paramilitares que lutaram na Chechênia contra os russos, e a confirmação de que muitos “manifestantes” são paramilitares treinados. Esses grupos não tinham outro objetivo senão a derrubada do presidente.

Ademais, a União Européia e os Estados Unidos agiram de maneira precipitada ao reconhecerem um governo que derrubou um presidente democraticamente eleito e que é formado, em boa parte, por esses extremistas. A justificativa para tal posição se fundava na alegação de que o governo de Yanukovich havia sido responsável pela morte dos manifestantes em Kiev. No dia 05 de Março, o vazamento de uma gravação telefônica entre o Ministro das Relações Exteriores da Estônia, Sr. Urmas Paet, e a chefe das Relações Exteriores da UE, Sra. Catherine Asthon, deixa claro que os Europeus sabiam que o início dos tiros feitos por snippers [franco-atiradores, nota do Blogueiro] partiram de grupos relacionados às milícias ultra-nacionalistas, os quais buscavam como alvo tanto as forças policiais quanto os manifestantes. Esses mesmos grupos fazem parte do governo provisório na Ucrânia. Isso reforça a alegação dos russos de que os acontecimentos de Kiev foram protagonizados por grupos que ameaçam a segurança dos russos no país e justificaria, portanto, a ocupação da Criméia. Em outras regiões da Ucrânia com maioria russa, como Donetsk e Kharkiv, já ocorrem manifestações populares pró-Rússia e, caso haja reação ucraniana, a possibilidade de uma intervenção russa em outras partes do país bastante real.

Os europeus e norte-americanos acusam os russos de serem incoerentes, de defenderem o princípio da não-intervenção em outros casos e de o desrespeitarem no caso da Ucrânia. Todavia, as comparações são qualitativamente desmedidas. Vejamos as últimas três intervenções condenadas pelos russos e lideradas pelos ocidentais.

A primeira foi baseada em mentiras – supostas ligações de Saddam com a Al Qaida e a existência de armas de destruição em massa foram comprovadamente fabricadas por setores do governo norte-americano para legitimar a invasão do Iraque, em 2003. A segunda, na Líbia, decorreu de uma divergência na interpretação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que, segundo os russos, não autorizava a intervenção, mas mesmo assim ela foi levada adiante. O próprio fato de haver uma resolução com apoio da Rússia indica um certo grau de cooperação entre as potências para a resolução da Crise na Líbia. Na visão dos russos, sua boa vontade foi retribuída com traição por parte do Ocidente. Por último, a intervenção da Síria não ocorreu por conta da oposição russa e da proposição de um plano para a retirada das armas químicas do território sírio (posteriormente, a justificativa utilizada pelo presidente Obama para que houvesse uma intervenção armada, de que o governo de Bashar Al Assad havia utilizado armas químicas contra os rebeldes, foi comprovada falsa por um estudo de especialistas do MIT). De todo modo, nesses três casos, não existia um número significativo de cidadãos, sejam europeus, sejam norte-americanos, que estivessem em risco e pudessem justificar uma atitude belicosa contra um Estado soberano. Por trás da defesa de valores universais que legitimassem intervenções humanitárias, existiam também interesses econômicos bastante palpáveis, relacionados a fontes de energia (petróleo e gás).

No caso da Rússia, também existem interesses econômicos (gás) e geopolíticos (base de Sevastopol) em jogo, mas os termos nos quais essas questões tinham sido resolvidas nos últimos anos foram altamente favoráveis à Rússia, e não serviriam de motivação para uma ação militar. Aqui, ao que parece, as justificativas de intervenção humanitária não são vagas: existem quase 9 milhões de russos em território ucraniano, que viram sua língua ser rebaixada do status de idioma oficial do país pelo parlamento do pós-golpe, e que temem a presença de nacionalistas anti-russos no governo provisório. A atitude russa é a materialização da promessa de que nenhum russo fora do território do seu país depois do fim da URSS seria tratado como cidadão de segunda classe. De fato, existiam em torno de 25 milhões de russos fora da Rússia depois do colapso da União Soviética, e a maioria deles foram desprovidos de seus direitos básicos (propriedade, idioma, emprego, voto, etc…) durante uma boa parte desse período. Na época, a fraqueza do governo de Ieltsin e seu alinhamento incondicional com o Ocidente impossibilitaram qualquer atitude proativa de Moscou para garantir esses direitos. Embora tenha sido bastante lenta, a incorporação dos países do leste na união Européia contribuiu para atenuar essa discriminação, mas não para terminar definitivamente com ela. Pelo contrário, a UE aceitou a aberração jurídica criada pela Letônia e Estônia de chamar os russos que viviam nesses países desde a II Guerra Mundial de “não-cidadãos”, ou seja, pessoas que possuem todos os direitos dos cidadãos, mas que não possuem direito de votar ou de ocuparem cargos públicos (sim, esse é o status no passaporte dessas pessoas). Por conta desse precedente, a UE não tem legitimidade para garantir o respeito às minorias russas na Ucrânia, na visão da Rússia. Por esses motivos, uma possível intervenção russa na Ucrânia não pode ser comparada às intervenções ocidentais em outros países.

E agora, o que fazer?

Tendo em vista o que foi exposto, a afirmação que Kissinger de que a demonização de Putin por parte dos Estados Unidos serve, na verdade, como um álibi para a inexistência de uma política externa para a Rússia está correta. De fato, os interesses russos (e dos russos que habitam a Ucrânia) não foram levados em consideração pelos ocidentais. Os russos reagiram de maneira previsível para aqueles que acompanham a vida política do país e enxergam a Rússia como ela é. Já aqueles que tendem a olhar para a Rússia e enxergar “o expansionismo da antiga União Soviética,” paradoxalmente, não conseguiram vislumbrar que a possibilidade de expansão da Rússia no caso da Ucrânia era real. Um primeiro passo necessário para a resolução da crise, nesse sentido, seria o de colocar em diálogo interlocutores ocidentais que saibam enxergar uma realidade diferente e reconhecer que os interesses da Rússia são legítimos, bem como os dos russos que vivem em território ucraniano.

Um segundo passo seria o de negociar um governo de transição na Ucrânia, que não tenha a participação de partidos vinculados aos atos de violência cometidos por paramilitares armados e que desencadearam a resposta armada das forças de policiais ucranianas. Para tanto, a UE deve reconhecer o erro de ter promovido a versão de que a derrubada de Yanukovich foi legítima por se tratar de um presidente que havia utilizado a força contra os manifestantes. Isso implicaria a retirada do Svoboda do governo de transição (que, aliás, está a frente do ministério de defesa) e o ingresso de alguns dos antigos governadores das regiões russas do país no governo. Obviamente, essa medida deve ser seguida da anulação da lei que retira do russo o status de segunda língua oficial do país.

O terceiro passo é mais delicado, e consistiria em um acordo para adiar tanto o plebiscito da região autônoma da Criméia, previsto para o dia 16 de Março, quando as eleições para a presidência da Ucrânia, previstas para o dia 25 de maio. Caso os russos da Criméia optem pela anexação à Rússia, será praticamente impossível evitar a formalização da ocupação russa. Em contrapartida, esse evento levará ao crescimento eleitoral do Svoboda na disputa presidencial. Nesse cenário, a posterior anexação militar pela Rússia das outras regiões habitadas por russos será concretizada, e a reação do governo nacionalista levará o pais à guerra com a Rússia. Para evitar que isso ocorra, é necessário que haja tempo para que os ânimos se acalmem e espaço para que os EUA, a UE e a Rússia tomem medidas conjuntas para evitar o colapso econômico do país. Evidentemente, a imposição de condições aos empréstimos feitos à Ucrânia, tais como a aceitação de políticas econômicas preconizadas pelo FMI, não se aplicariam. Os recursos poderiam vir de doações de Rússia, EUA e UE, e seriam administrados em comum acordo até a situação do país se estabilizar.

Nesse ínterim, um quarto passo consistiria em autorizar, via Conselho de Segurança, o envio de Forças de Paz compostas por tropas majoritariamente russas, mas com a participação menor da OTAN, para garantir a segurança da população russa no país. Os moldes seriam os mesmos da KFOR, de atuação no Kosovo e que contou, inicialmente, com participação russa. A administração dessa força estaria sob responsabilidade do Conselho OTAN-Rússia, órgão dentro da OTAN que trata da cooperação entre eles. Isso reativaria o órgão e evitaria que anos de cooperação entre as partes fossem perdidos caso haja uma ruptura em sua relação.

Embora não sejam de fácil implementação, essas medidas podem oferecer uma alternativa pacífica à resolução da crise, sem que a soberania territorial da Ucrânia seja violada e sem que os russos que habitam o país sejam vítimas de práticas discriminatórias. Além disso, o dialogo entre a Rússia e seus parceiros Ocidentais seria mantido, e haveria tempo para que a situação da Ucrânia se normalizasse e os elementos mais extremistas dessa crise perdessem o prestígio adquirido junto a seus simpatizantes. Se medidas nessa direção não forem adotadas, os problemas em breve serão bem mais complicados e, infelizmente, apenas o diálogo não será suficiente para resolvê-los.


[1] Esse trabalho foi escrito com base em entrevistas que tenho dado sobre os acontecimentos recentes na Ucrânia e debates que tenho participado sobre o assunto em programas de rádio e televisão. Caso haja interesse em fontes sobre as afirmações desse artigo, favor encaminhar um email para: fpmiel@gmail.com


NOTAS DO BLOGUEIRO

O vazamento de conversa telefônica citada pelo Prof. acima (está sublinhada no texto) comprovando que franco atiradores que matavam manifestantes em Kiev não eram a mando do Governo Yanukovitch, e sim dos extremistas que estavam orquestrando o golpe,  está aqui neste link abaixo: 

segunda-feira, 10 de março de 2014

ENTENDA A CRISE NA UCRÂNIA


Aleksandr Dugin - Carta ao Povo Americano sobre a Ucrânia

por Aleksandr Dugin





Diferença Entre os Dois Significados de Ser Americano (na perspectiva russa)

1 - Nós distinguimos duas coisas: o povo americano e a elite política americana. Nós amamos sinceramente o primeiro e odiamos profundamente o segundo.

2 - O povo americano tem suas próprias tradições, hábitos, valores, ideais, opções e crenças que são suas próprias. Essas dão a todos os direito de ser diferente, de escolher livremente, de ser o que se deseja ser ou se tornar. É um traço maravilhoso. Ele concede força e orgulho, auto-estima e segurança. Nós russos admiramos isso.

3 - Mas a elite política americana, acima de tudo no nível internacional, são e agem muito contrariamente a esses valores. Eles insistem na conformidade e consideram o modo de vida americano como algo universal e obrigatório. Eles negam a outros povos o direito à diferença, eles impõem sobre todos os padrões das tais "democracia", "liberalismo", "direitos humanos" e daí em diante, que em muitos casos não tem nada a ver com o conjunto de valores partilhados pelas sociedades não-ocidentais ou simplesmente não-norteamericanas. É uma contradição óbvia frente aos ideais e padrões interiores da América. Nacionalmente o direito à diferença é garantido, internacionalmente ele é negado. Assim pensamos que há algo de errado com a elite política americana e seus padrões duplos. Onde hábitos se tornaram normas e contradições são tomados por lógica. Não podemos compreender, nem podemos aceitar: parece que a elite política americana não é americana de forma alguma.

4 - Então eis a contradição: o povo americano é essencialmente bom, mas a elite americana é essencialmente má. O que sentimos em relação à elite americana não deve ser aplicado ao povo americano, e vice-versa.

5 - Por causa desse paradoxo não é fácil para um russo expressar corretamente sua atitude frente aos EUA. Nós podemos dizer que o amamos, podemos dizer que o odiamos - porque ambos são verdades. Mas não é fácil sempre expressar essa distinção claramente. Ela cria muitas incompreensões. Mas se você quiser saber o que os russos realmente pensam sobre os EUA você deve sempre ter em mente isso. É fácil manipular essa dualidade semântica e interpretar o anti-americanismo dos russos em um sentido impróprio. Mas com esses esclarecimentos em mente, tudo que você ouvir de nós será entendido muito melhor.

Breve Revisão da História Russa

1 - A Nação Americana nasceu com o capitalismo. Ela não existia na Idade Média. Os ancestrais dos americanos não experimentaram uma Idade Média americana, mas uma européia. Assim este é um traço da América. Talvez essa seja a razão pela qual os americanos sinceramente pensem que a nação russa nasceu com o comunismo, com a União Soviética. Mas este é um equívoco absoluto. Somos muito mais antigos que isso. O período soviético foi apenas uma curta época em nossa longa história. Nós existíamos muito antes da União Soviética e seguimos existindo após a União Soviética. Portanto, para compreender os russos (e os ucranianos também) vocês devem levar em consideração nosso passado.

2 - Os russos consideram a Ucrânia como sendo parte da Grande Rússia. Isso o foi historicamente - não por conquista, mas pela gênese do Estado Russo que se iniciou precisamente em Kiev. Ao redor de Kiev nosso povo e nosso Estado foram construídos no século IX. É nosso centro, nossa amada primeira capital. Depois nos séculos XII-XIII diferentes partes da Rússia Kievana eram mais ou menos independentes com dois rivais principais - os principados ocidentais de Galitsia e Wolyn e o principado oriental de Vladimir (que posteriormente se tornou Moscou) existindo. Todas essas áreas eram povoadas pela mesma nação, eslavos orientais, todos os quais eram cristãos ortodoxos. Mas os príncipes do oeste eram mais participativos na política européia e tiveram mais contato direto com o cristianismo ocidental e relativamente menos com os ramos orientais. O título de Grão-Príncipe era mantido no leste pela realeza que era considerada mestra da totalidade da Rússia (não sempre de facto, mas de jure). No período mongol, o oeste bem como o leste de nossos principados russos foram mantidos sob a Horda Dourada. A Rússia oriental era mais ou menos sólida e seu poder cresceu ao redor da nova capital, Moscou. Após a queda dos tártaros, o domínio do Principado de Moscou se afirmou como um hegemônico regional que foi confirmado pela queda do Império Bizantino. Daí a doutrina de Moscou como a Terceira Roma.

O destino da área ocidental foi bem diferente. Ela foi incorporada primeiro em um Estado Lituano, que depois se tornou polonês. Os russos ortodoxos do oeste foram postos sob domínio católico. Os principais principados iniciais - Galitsia e Wolyn foram fragmentados e perderam qualquer traço de independência. Algumas partes sob a Lituânia, outras sob Áustria e Hungria, uma terceira pertencendo à Romênia. Mas tudo que nos concerne agora é apenas a metade direita da Ucrânia moderna. A metade esquerda era povoada por cossacos - a população nômade comum a todas as terras da Novorossiya, espaço que inclui leste e sudeste da Ucrânia e sudoeste da Rússia. A Criméia à época estava sob domínio otomano.

3 - O crescimento do Império Moscovita integrou primeiro todas as terras cossacas (Novorossiya) e pouco a pouco outros territórios povoados por russos ocidentais, libertando-os dos poloneses e alemães. Os príncipes moscovitas acreditavam que eles estavam restaurando a Velha Rússia, a Rússia de Kiev unificando todos os eslavos ortodoxos - orientais e ocidentais nesse único Reino.

4 - Durante os séculos XVIII e XIX a unificação das terras russas ocidentais foi conquistada e após muitas batalhas os imperadores moscovitas finalmente tomaram a Criméia dos turcos otomanos.

5 - Na Primeira Guerra Mundial os alemães conquistaram as terras russas ocidentais. Isso não durou muito. Após isso veio a Revolução de Outubro e o Império foi fragmentado em muitas partes com novas nações chegando à existência. Houve uma tentativa de construir uma nação ucraniana por diferentes pessoas - Petlyura, Makhno e Levitsky que tentaram fundar três efêmeros Estados. Esses Estados foram atacados por Brancos e Vermelhos e lutaram entre si. Finalmente, os bolcheviques restauraram as terras do Império Czarista e proclamaram a União Soviética. A União Soviética então criou artificialmente a República Ucraniana consistindo de Rússia Ocidental (Galitsia, Wolyn) e Rússia do Sul (Novorossiya). Depois, na década de 60 acrescentou-se a República da Criméia a ela. Assim, nessa República estavam unidos três grupos étnicos principais: russos ocidentais, os descendentes dos principados de Galitsia e Wolyn; a população cossaca e grão-russa da Novorossiya; a Criméia povoada por grão-russos e o resto dos tártaros pré-russos. Essa República Socialista Soviética da Ucrânia foi criada pelos bolcheviques e foi a origem da Ucrânia moderna. Essa Ucrânia declarou independência em 1991 após se separar da URSS. Mais do que isso, a declaração de independência provocou essa separação.

6 - Assim os ucranianos modernos possuem três linhas de ascendência - russos ocidentais, cossacos, grão-russos e uma pequena minoria tártara na Criméia.

Identidade Ucraniana e as Duas Opções Geopolíticas

1 - A contradição da Ucrânia consiste na multiplicidade de identidades. Logo após a declaração do novo Estado - a Ucrânia moderna em 1991 - a questão da identidade pan-ucraniana surgiu. Tal Estado e nação jamais existiram na história. Assim a nação teve que ser construída. Mas as três identidades principais eram muito diferentes. A Criméia povoada por grão-russos junto a maior parte da Novorossiya que eram claramente atraídas para a Federação Russa. Os russos ocidentais afirmavam ser o núcleo de uma "nação ucraniana" muito específica que eles imaginaram de modo a servir sua causa. Os russos ocidentais que parcialmente apoiaram Hitler na Segunda Guerra Mundial (Bandera, Shukhevich) possuíam e ainda possuem uma forte identidade étnica na qual o ódio pelos grão-russos (bem como aos poloneses em menor escala) possui um papel central. Isso pode ser traçado à rivalidade antiga dos dois principados feudais russos projetada em tempos imperiais e seguida pelos expurgos de Stálin. Esses expurgos foram dirigidos contra todos os grupos étnicos, mas os russos ocidentais o leem como vingança dos grão-russos contra eles (Stálin era georgiano e os bolcheviques eram internacionalistas). Assim a identidade escolhida do recém fundado Estado da Ucrânia era exclusivamente russa ocidental (puramente Galitsia/Wolyn) sem lugar para uma identidade grão-russa ou novorossiya.

2 - Essa particularidade foi expressada em duas opções geopolíticas opostas: ocidental ou oriental, Europa ou Rússia. As terras ocidentais da Ucrânia eram favoráveis à integração européia, as orientais e a Criméia a favor de fortalecer relações com a Rússia. Os homens da Galitsia era dominantes na elite política apresentando a Ucrânia com uma única identidade - uma ocidental - e negando qualquer tentativa do sul e do leste de expressar sua própria visão. Na Ucrânia Ocidental o anti-sovietismo estava profundamente enraizado bem como havia certa complacência com as idéias de Bandera e Shukhevich, que eram considerados heróis nacionais de uma nova Ucrânia. O ódio pelos grão-russos era dominante e toda retórica xenofóbica anti-russa era saudada.

3 - No leste e no sul os valores soviéticos ainda eram sólidos e a identidade grão-russa era, por sua vez, o sentimento dominante. Mas o leste e o sul eram passivos e seu poder político era limitado. Ainda assim, a população regularmente expressava sua escolha dando seus votos a políticos pró-russos ou pelo menos não tão abertamente russofóbicos ou pró-ocidentais.

4 - O desafio para políticos ucranianos, portanto, era como manter essa sociedade contraditória unida sempre se equilibrando entre essas duas partes opostas. Cada parte demandava escolhas completamente irreconciliáveis. Os ocidentais insistiam em uma direção européia, orientais e sulistas em uma russa. Todos os presidentes da nova Ucrânia foram impopulares, quase ao ponto de serem odiados, precisamente porque eles eram incapazes de resolver esse problema que não tinha qualquer solução real. Nessa situação, os ocidentais eram mais ativos e vigorosos e parcialmente tiveram sucesso em impôr sua versão de uma identidade pan-ucraniana sobre todo o espaço político do país - com a ajuda considerável da Europa Ocidental e acima de tudo da Rússia.

Eventos e Seu Significado

1 - Agora nos aproximamos da crise atual. A Revolução Laranja de 2004 foi feita por ocidentais que desafiaram a vitória legal de Victor Yanukovich, que era considerado o candidato do leste. Uma terceira rodada de eleições (contra todas as normas democráticas) foi imposta pela força de modo a dar o poder ao candidato ocidental (Yuschenko). Quatro anos mais tarde, novas eleições deram ao presidente ocidental apenas 4% dos votos e o candidato oriental Yanukovich foi eleito. Dessa vez a vitória foi tão óbvia que ninguém poderia desafiar.

2 - Yanukovich liderava a política do equilíbrio. Ele não era realmente pró-russo, mas não respondia a todas as demandas do Ocidente também. Ele não tinha muita sorte ou eficiência, tentando enrolar Putin e Obama, desapontando a ambos bem como a ucranianos de qualquer lado. Ele era um oportunista sem qualquer estratégia integral real, o que era quase impossível de desenvolver em uma sociedade com uma personalidade e identidade fraturadas. Ele reagia mais que agia.

3 - Em seguida, quando ele deu um hesitante e relutante passo em direção à Rússia, se abstendo de assinar o tratado preparatório para uma futura entrada na UE, a oposição (ocidentais) se revoltou. Foi por isso que o Maidan aconteceu. A revolta foi inicialmente aquela do oeste contra o leste e o sul. Assim, seus traços russofóbicos e nostálgicos nazi eram essenciais para sua existência.

4 - A oposição recebeu apoio imenso dos países ocidentais - acima de tudo dos EUA. O papel da América em todos esses eventos foi decisivo e a vontade de derrubar um presidente pró-russo foi demonstrada por representantes americanos como sendo firme e forte. Agora o fato de que os snipers [franco-atiradores, nota do Blog] que mataram a maioria das vítimas nas revoltas não eram de Yanukovich foi exposto. É claro que eles eram uma parte do plano americano para revolução na Ucrânia e uma parte de uma conspiração para escalar o conflito.

5 - A oposição do Maidan pôs em prática uma revolução, derrubou Yanukovich que fugiu do país para a Rússia, e ilegalmente assumiu o poder em Kiev. Ocorreu um golpe que levou a junta completamente ilegal ao poder.

6 - Os primeiros passos dos ocidentais após a tomada do poder foram:

* Declaração do desejo de ingressar na OTAN;
* Ataques ao uso do idioma russo;
* Um apelo para serem aceitos na UE;
* Uma recusa a permitir a Rússia a continuar tendo uma base naval em Sevastopol (Criméia);
* A indicação de oligarcas corruptos como governadores no leste e sul da Ucrânia.

7 - Em resposta a essas coisas Putin assumiu o controle sobre a Criméia com base nos decretos do único presidente legal da Ucrânia, Yanukovich. Ele também recebeu permissão do Parlamento Russo para enviar o Exército Russo para a Ucrânia. Autoridades da Criméia foram reconhecidas por Moscou como os representantes de sua terra e Putin claramente recusou quaisquer relações com a junta de Kiev.

8 - É aqui que estamos agora.

Curto Prognóstico

1 - Aonde isso vai levar? Logicamente, a Ucrânia como ela existiu durante esses 23 anos de sua história deixou de existir. Isso é irreversível. A Rússia integrou a Criméia e se declarou garantidora da liberdade de escolha do leste e sul da Ucrânia (Novorossiya).

2 - Assim, no futuro próximo haverá a criação de (pelo menos) duas entidades políticas independentes correspondendo às duas identidades previamente mencionadas. A Ucrânia Ocidental com sua posição pró-OTAN e ao mesmo tem uma ideologia ultra-nacionalista e a Novorossiya com uma orientação pró-russa (e pró-eurasiana, aparentemente sem qualquer ideologia, como a própria Rússia). O oeste da Ucrânia protestará tentando manter a posse do leste e do sul. Isso é impossível por meios democráticos, então os nacionalistas tentarão usar a violência. Após um certo tempo, a resistência do leste e do sul crescerá e/ou a Rússia vai intervir.

3 - Os países dos EUA e OTAN apoiarão por todos os meios os ocidentais e a junta de Kiev. Mas na realidade, essa estratégia só vai piorar a situação. A essência do problema está aqui: se a Rússia interferir nas questões do Estado em que a população (a maioria) considera essa intervenção ilegítima, a posição dos EUA e da OTAN será natural e bem embasada. Mas nessa situação, a população do leste e sul da Ucrânia saúda a Rússia, espera por ela, apela para que a Rússia venha. Há um tipo de guerra civil na Ucrânia agora. A Rússia apoia abertamente o leste e o sul. Os EUA e a OTAN apoiam o oeste. Os ocidentais estão tentando conseguir que toda a Ucrânia afirme que nem toda a população do leste e do sul está feliz com a Rússia. Isso é bastante verdade. Também verdade é que nem toda a população do oeste está satisfeita com o Setor Direito, Bandera, Shukhevich e o governo de oligarcas. Assim, se a Rússia invadir as partes ocidentais da Ucrânia ou Kiev isso poderia ser considerado como um tipo de agressão ilegítima. Mas a mesma agressão é nas circunstâncias atuais a posição dos EUA de tentar ajudar a junta de Kiev a assumir o controle do leste e do sul. Isso é percebido como um ato ilegítimo de agressão e provocará dura resistência.

Conclusão

1 - Agora aqui está o que quero dizer ao povo americano. A elite política americana tentou nessa situação, bem como em outras, fazer com que os russos odeiem os americanos. Mas ela falhou. Nós odiamos a elite política americana que traz morte, terror, mentiras e derramamento de sangue por todo lugar - na Sérvia, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria - e agora na Ucrânia. Nós odiamos a oligarquia global que usurpou a América e a usa como seu instrumento. Nós odiamos a duplicidade de sua política, onde eles chamam de "fascistas" a cidadãos inocentes sem qualquer característica que se assemelhe à ideologia fascista e com o mesmo fôlego negam a hitleristas declarados e admiradores de Bandera os qualificativos de "nazi" na Ucrânia. Tudo que a elite política americana fala ou cria (com pequenas exceções) é uma grande mentira. E nós odiamos essa mentira porque as vítimas dessa mentira não somos apenas nós, mas também o povo americano. Vocês acreditam neles, vocês votam neles. Vocês tem confiança neles. Mas eles os enganam e os traem.

2 - Nós não temos interesse ou desejo de ferir a América. Nós estamos longe de vocês. A América é para os americanos, como o Presidente Monroe costumava dizer. Para os interesses americanos e nenhum outro. Não para os russos. Sim, isso é bastante razoável. Vocês querem ser livres. Vocês e todos os outros merecem isso. Mas o que raios você está fazendo na capital da antiga Rússia, [Kiev, nota do Blogueiro] Victoria Nuland? Por que você interfere em nossas questões domésticas? Nós seguimos o Direito e a lógica, linhas da história e respeitamos identidades, diferenças. Isso não é uma questão americana. Não é?

3 - Eu tenho certeza de que a linha de separação entre os americanos e a elite política americana é bastante profunda. Qualquer americano honeste que estude calmamente o caso chegará à conclusão: "que eles decidam por si mesmos. Nós não somos similares a esses estranhos e selvagens russos, mas que eles sigam seu próprio caminho. E nós seguiremos o nosso". Mas a elite política americana tem outra agenda: provocar guerras, se intrometer em conflitos regionais, incitar o ódio entre diferentes grupos étnicos. As elites políticas americanas sacrificam o povo americano em causas que estão distantes de vocês, que são vagas, incertas e finalmente muito ruins.

4 - O povo americano não deve escolher estar com os ucranianos (russos ocidentais) ou com os russos (grão-russos). Não é essa a questão. Estejam com a América, a América real, com seus valores e seu povo. Se ajudem e nos deixem ser quem somos. Mas a elite política americana toma as decisões no seu lugar. Ela mente para vocês, ela os desinforma. Ela mostra fotos falsas e eventos ensaiados com explicações completamente imaginadas e comentários imbecis. Eles mentem sobre nós. E eles mentem sobre vocês. Eles dão a vocês uma imagem distorcida de si mesmos. A elite política americana roubou, perverteu e falsificou a identidade americana. E eles nos fazem odiá-los e eles os fazem nos odiar.

5 - Essa é minha idéia e sugestão: vamos odiar a elite política americana juntos. Lutemos com eles por nossas identidades - vocês pela americana, nós pela russa, mas o inimigo em ambos os casos é o mesmo - a oligarquia global que governa o mundo usando vocês e nos esmagando. Vamos nos revoltar. Vamos resistir. Juntos. Russos e americanos. Nós somos o povo. Nós não somos seus marionetes.

Fonte: http://legio-victrix.blogspot.com.br/

Aleksandr Dugin é pensador e autor russo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

QUAL SERÁ O FUTURO DA UCRÂNIA?

 




Qual será o futuro dos Ucranianos? As considerações abaixo feitas por internautas brasileiros parecem bem verossímeis e ajudam a esclarecer alguns pontos. Neste exato momento a mídia Brasileira (que reproduz o que a americana noticia, portanto, temos que checar) diz que o parlamento ucraniano votou o impeachment do presidente Viktor Yanukovitch, e convocou eleições para maio, o que sería um golpe dos extremistas apoiados pelos EUA e UE em depor um presidente legitimamente eleito pelo povo. 

Vamos aos comentários dos internautas Brasileiros na rádio Voz da Rússia e tire suas próprias conclusões:


por Cristianotitan
      
    Porque a União Européia (UE)  não dá logo os 20 bilhões de euros que a Ucrânia exigia como forma de amenizar possíveis danos econômicos para a sua economia? A resposta é simples, a UE não dispõe de recursos, afinal ela ia tirar esse montante de onde, nenhum país da EU está disposto a empreender ajuda financeira e econômica a um país que está praticamente mergulhado em uma grande crise econômica como é o caso da Ucrânia.   
       
     Logo, eles querem que a Ucrânia entre no bloco europeu para poder encher o país de produtos industrializados com um preço muito mais baixo do que o produzido pelas empresas Ucranianas, ou seja, vai quebrar as pernas dessas empresas, e não vai ser bom para a economia Ucraniana. 
        
     Sem falar que o fato de aderir um país altamente endividado e com graves problemas econômicos e financeiros já é por si algo para se desconfiar, pois a UE quer países com economia sólida, que esteja bem das pernas, e a Ucrânia anda é longe dessas qualidades, logo, o fato da UE querer a Ucrânia é apenas um passo estratégico para conter a influência da Rússia.
          
      Essa mesma tentativa foi tentada na Síria recentemente, uma grande aliada da Rússia no Oriente Médio, mas felizmente os EUA e Bruxelas fracassaram, então partiram para outro aliado russo, a Ucrânia, até agora não há sinais de que estão ganhando, pois o governo segue sua administração normalmente, os manifestantes estão na praça da independência,[o comentário foi feito antes do aumento da violência insuflada por europeus e americano, nota do blog] o governo russo concedeu um empréstimo de 15 bilhões de dólares para a Ucrânia além é claro de uma redução drástica no preço do gás e assim as coisas vão caminhando para um futuro desconhecido. 

        A grande pergunta é: Qual será o próximo país a ter interferência exterior e resultar em novas manifestações? Quem tem interesse em ver a instabilidade de países mundo afora? São respostas boas para velhas perguntas.

[Parece bem óbvio em relação ao maior interessado não é? melhor dizendo, os dois maiores interessados rs nota do blog]

por Rafael Nize

A UE quer ter influência sobre os países do Leste porque traz mão de obra barata para a Alemanha. O lado positivo para os países como Polônia, Ucrânia, Hungria dentre outros de se deslocar para o lado a UE é reduzir a forte dependência da Russia e digamos se integrar aos ocidentais, tornar os países mais abertos para o fluxo de pessoas para países mais desenvolvidos na Europa. O lado negativo é o sucateamento do mercado de trabalho, emigrações em massa, redução do PIB desses países, menos desenvolvimento tecnológico dentre outros problemas. Russia: ruim com ela, pior sem ela.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

UCRÂNIA: Por trás da CORTINA DE FUMAÇA DOS AMERICANOS.......







NOS BASTIDORES Da UCRÂNIA (Rússia x EUA/União Européia)

Os Americanos e a União Européia impuseram punições à Ucrânia, com intenção (não declarada, claro) de encurralar e consequentemente derrubar o atual presidente daquele país, Viktor Yanukovich, que não aceitou seguir a cartilha deles. O Aumento da violência está sendo insuflada pelos mesmos europeus e americanos, pois na tática deles quanto mais caos, melhor. E qual seus Objetivos? Resposta: colocar um Governo que seja carneirinho deles para deixar a Rússia, POR SUA VEZ, isolada. A "tentativa" foi boa, até o momento. Vamos ver a resposta nesse tabuleiro de xadrez do Vladimir Pútin, o presidente Russo, a quem americanos e europeus tem perdido todas, em suas tentativas de aumentar seus tentáculos nesse "War" Mundial (lembram do jogo?). Só que Reza a lenda que não se deve mexer com a Rússia no inverno, que o digam Hitler e Napoleão Bonaparte....

sábado, 15 de fevereiro de 2014

FHC pode ser candidato ao Senado para atrapalhar tática de Lula pela imunidade parlamentar.






                                      Fernando Henrique Cardoso: Decisão dependerá de seu filhos


Por Jorge Serrão

Ninguém se surpreenda se o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso se candidatar este ano a uma vaga ao Senado, pelo Estado de São Paulo, simplesmente para atrapalhar ou inviabilizar um plano não explicitado pelo também ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar virar senador para conseguir uma providencial imunidade parlamentar, diante do risco concreto de ser obrigado a acertar as contas com a Justiça, tão logo o PT perca o poder federal. A decisão de FHC depende de seus filhos.

A candidatura de FHC ao Senado (provavelmente contra Lula – ou contra a improvável reeleição de Eduardo Suplicy) promoveria uma “nacionalização” do pleito paulista. Mesmo que não tente o Senado, para reforçar a blindagem pessoal, Lula tem como prioridade máxima a eleição ao governo do Estado de seu ex-ministro da Saúde. Estrategistas de FHC já avaliam que a entrada dele, de surpresa, no cenário eleitoral pode ajudar Geraldo Alckmin a se reeleger, já que o embate paulista teria o foco desviado para uma batalha pessoal entre os “ex-amigos” Lula e FHC.

Nos bastidores tucanos, já se especula que FHC prepara um movimento surpresa, ofensivo, com dois objetivos bem definidos. Primeiro, reforçar, com sua presença direta na campanha, a candidatura presidencial de Aécio Neves – com dificuldade de decolagem. Segundo, impedir que o PT tenha sucesso na tentativa de emplacar o poste Alexandre Padilha no Palácio dos Bandeirantes. O PSDB avalia que, taticamente, manter o Governo de São Paulo é até mais importante que retornar ao Palácio do Planalto.

Os tucanos tem uma certeza. Sem credibilidade junto a investidores internacionais, Dilma Rousseff está praticamente liquidada em seu projeto reeleitoral. Mas os tucanos também sabem que não são os favoritos para derrotá-la. Por isso, a tática imediata é um acordo, já costurado, para que Aécio Neves e Eduardo Campos (PSB), não criem conflitos entre si, de olho na aliança salvadora no segundo turno. O foco dos tucanos é centrar fogo no PT.

O Partido dos Trabalhadores tem o mesmo foco ofensivo, para neutralizar sua principal fragilidade interna: a contaminação pelo Mensalão, Rosegate e outros escândalos que ainda podem estourar durante a campanha, provavelmente depois da Copa do Mundo, cujo desfecho, em meio a protestos previsíveis, será crucial para o destino do governo Dilma.

Por isso, a máquina petista de desinformação investe pesado no Mensalão Mineiro, para tentar atingir diretamente Aécio Neves. O problema é que esse jogo tem um perigo. Transforma dirigentes dos dois partidos em farinhas do mesmo saco de corrupção – o que pode abrir caminho uma “terceira via eleitoral”. O receio é uma improvável candidatura de Joaquim Barbosa – que tem até o final de abril para resistir ao canto da sereia de abandonar o Olimpo do Supremo Tribunal Federal para mergulhar no inferno da política partidária. A tendência é que Barbosa não embarque na canoa furada, e fique assistindo, de camarote, ao afundamento programado do PTitanic.


FHC Lançando o Plano Real: O ex-presidente símbolo da estabilidade econômica poderá voltar à Arena Política para neutralizar a última cartada do Lulopetismo de manter seus projetos de poder.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

OLIMPÍADAS DE SOCHI E OS BASTIDORES DAS RELAÇÕES entre RÚSSIA X ESTADOS UNIDOS

                     Imagem captada da abertura oficial dos jogos olímpicos de inverno de Sochi, na Rússia





Em 1980 em Moscou, na última vez que a Rússia organizou os jogos, os americanos não foram à eles. Seus aliados também não. Um boicote que reputo como uma monumental e Brutal AFRONTA ao IDEAL OLÍMPICO, que exige "compreensão mútua, espírito de amizade, solidariedade e fair play". Em Sochi 2014 os atletas americanos foram, mas Barack Obama não. 

Por mais justificativas que ele tenha dado em relação às suas diferenças em relação ao presidente russo, Vladimir Putin, mas nada é maior que o ideal olímpico, que faltou à ele tanto quanto aos seus compatriotas do passado. Na verdade os Americanos não querem ver seus adversários políticos se destacarem.

Putin tem tido atuação de destaque na diplomacia internacional, intermediando conflitos e liderando ações de paz como na Síria e Irã. Obama está em baixa, nem o apoio de seu congresso tem, além de ter tido papel secundário no tabuleiro político mundial. 

A abertura dos jogos de Sochi 2014 começaram como uma das mais lindas entre todas, e a delegação americana foi até aplaudida em sua entrada no Estádio. Pela primeira vez competindo em solo russo já que não foram em 1980 e Inebriados com a atmosfera fraterna do povo russo, talvez seja a hora de aprenderem um pouco com àqueles que sempre fizeram de tudo para boicotar a ter o verdadeiro espírito olímpico.

5 arrependimentos mais comuns ao fim da vida


Os pacientes ganham uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas. Os pacientes ganham uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas.


Viva a vida intensamente. Aproveite cada dia como se fosse o último. Realize seus sonhos. Essas são frases feitas repetidas exaustivamente. Mas, o fato é que na correria do dia a dia muitos questionam suas escolhas e temem se arrependerem mais tarde de algo que fizeram ou deixaram de fazer. Essa é uma dúvida tão comum que a enfermeira Bronnie Ware percebeu que o tema poderia render um livro e, baseada em suas experiências, selecionou os cinco maiores arrependimentos dos seres humanos.

Bronnie trabalhou por muitos anos com Cuidados Paliativos, um tipo de tratamento que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes que estão em seus últimos meses de vida. Através de uma equipe de profissionais, os pacientes e seus familiares tendem a encarar com mais facilidade as dores de natureza física, social, emocional e espiritual.

De acordo com a enfermeira, os pacientes ganham uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas. Confira a lista do seu livro, publicado nos Estados Unidos, "The Top Five Regrets of the Dying" ("Top Cinco arrependimentos daqueles que estão para morrer") e os comentários da enfermeira:

1 - Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse

"Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e têm de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais."

2 - Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

"Eu ouvi isso de todos os pacientes homens que eu trabalhei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de seus parceiros. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho."

3 - Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos

"Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de ser. Muitas desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam."

4 - Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos

"Frequentemente, eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até chegarem em suas últimas semanas de vida e não era sempre possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Tiveram muitos arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo."

5 - Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz

"Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida - que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso 'conforto' com as coisas que são familiares, o medo da mudança fez com que ele fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo."

A pedido do Hospital Albert Einstein, a Dra. Ana Cláudia Arantes, geriatra e também especialista em cuidados paliativos, analisou a publicação e falou sobre cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana.

O vídeo com os comentários pode ser conferido abaixo:


Fonte: Ciclo vivo